Marcelinho: polêmica no Brasiliense

A contratação do meia Marcelinho Carioca, na semana passada, gerou polêmica no Brasiliense, estreante na divisão de elite do Campeonato Brasileiro de 2005. E o jogador, conhecido por se envolver em confusões por onde passa, adotou nesta segunda-feira um discurso conciliador durante uma entrevista coletiva no Rio, acompanhado pelo presidente do clube Luiz Estevão e do técnico Edinho.A polêmica é resultado de um misto de vaidade e ciúme. O meia Iranildo, o camisa 10 da equipe e destaque do título Brasileiro da Série B no ano passado, deixou claro que não pretende perder a condição de estrela do time. "Agora na Série A, todo mundo quer comer o filé mignon", disse o meia a um jornal de Brasília, num ataque indireto a Marcelinho. Iranildo também não teria gostado de saber que poderia deixar de ser o cobrador oficial de faltas da equipe, já que esta é, reconhecidamente, a principal especialidade de Marcelinho.Marcelinho Carioca disse conhecer bem o Iranildo, a quem chamou de "Chuchu", apelido herdado nos tempos de Flamengo. Para ele, o sucesso repentino do Brasiliense pode ser explicado pela qualidade técnica e união de seu grupo."O Chuchu vai bater as faltas, além de vestir a camisa 10. O importante é a bola entrar e o time seguir conquistando títulos. Ele é um cara sensacional", disse o ex-ídolo da torcida do Corinthians.Se depender do técnico do Brasiliense, Edinho, Iranildo terá de se contentar em cumprir seu papel de coadjuvante: "o carro-chefe do Marcelinho são as cobranças de falta. Sou eu quem mando".De volta ao futebol brasileiro após passar sete meses na França, onde atuou pelo Ajaccio, da Primeira Divisão, Marcelinho recebeu do presidente do Brasiliense, o ex-senador Luiz Estevão, a camisa amarela do clube fundado em agosto de 2000. Não a beijou, mas disse sentir-se orgulhoso pelo projeto de trabalho proposto por Estevão. Foi este projeto, disse Marcelinho, que o fez abri mão da "boa qualidade de vida na Europa"."Em quatro anos de existência, o Brasiliense foi campeão da Série C e B, além do vice-campeonato na Copa do Brasil. Fora os títulos estaduais. É um clube-empresa, onde o jogador está sempre motivado pois recebe por produtividade", afirmou o meia, que disse ter recusado propostas do Palmeiras e do Atlético-MG. "O lado financeiro é secundário. Valorizo mais o projeto de trabalho".Em relação ao pagamento por produtividade, o presidente do time do Distrito Federal explicou como isso ocorre. Cada jogador, segundo ele, tem um salário fixo mensal, no qual está incluído o direito de imagem. Paga-se também prêmios em dinheiro por vitória, conquista de títulos e posição na tabela de classificação de qualquer competição. "O atleta pode ganhar R$ 100 mil num mês e R$ 500 mil no outro. Se render bem em campo, recebe por isso", declarou o dirigente.

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