Marcelinho viaja amanhã para o Japão

Sem outra opção, o meia-atacante Marcelinho Carioca viaja amanhã à noite para o Japão. Vai reforçar o Gamba Osaka na J-League, o campeonato profissional japonês, que tem início previsto para março. O pedido de transferência do jogador foi feito hoje à tarde à CBF pelo clube japonês. Marcelinho viaja, mas deixa a sua situação indefinida no Corinthians. Banido pelo ex-técnico do clube Vanderlei Luxemburgo e pela maioria dos jogadores do elenco sob a acusação de ser delator, o meia-atacante briga na Justiça com o Corinthians. O juiz da 74ª Vara do Trabalho de São Paulo, Manuel Antônio Ariano, vai decidir, provalmente no próximo dia 6, quando retorna das férias, quem está com a razão. O clube responsabiliza o jogador pela rescisão do contrato. Marcelinho Carioca acusa o Corinthians de o ter excluído do elenco e o afastado de suas atividades profissionais ao fazê-lo treinar separado dos demais jogadores. A primeira vitória na Justiça foi de Marcelinho. O jogador conseguiu uma liminar que lhe deu condições de atuar no Santos no Campeonato Brasileiro. Na audiência realizada no início de dezembro, o juiz Manuel Antônio Ariano exigiu que o Corinthians desse baixa na Carteira Profissional do atleta, liberando-o para jogar no Santos. Se a sentença do juiz for favorável ao Corinthians, Marcelinho terá de pagar R$ 1,2 milhão ao clube, referentes à multa contratual. Se o Corinthians perder, terá de pagar R$ 1,4 milhão ao jogador pela quebra do vínculo.Marcelinho viaja contrariado. Ele queria ficar no Brasil, de preferência no Corinthians. Mas percebeu nos últimos dias que o clube e a sua parceira comercial - a Hicks Muse - não querem vê-lo outra vez com a camisa corintiana. O Corinthians e a empresa norte-americana de fundos de investimentos querem reaver os direitos federativos do craque. Fazem questão de retomar o vínculo do jogador, para depois o negociarem com algum algum clube brasileiro ou do exterior. A Hicks não quer perder os US$ 4 milhões pagos à Federação Paulista de Futebol para trazê-lo de volta do Valencia, da Espanha. Na reunião que teve, com o seu procurador, James Fernando Arruda, na quinta-feira da semana passada com Eduardo José Farah, presidente da FPF, e Antônio Roque Citadini, vice-presidente do Corinthians, o jogador chegou à conclusão de que o seu retorno ao Parque São Jorge, pelo menos por enquanto, é quase impossível. A rejeição de parte do Conselho Deliberativo e da maioria dos jogadores - principalmente do zagueiro Scheidt e do meia Ricardinho - é intransponível. Antônio Roque Citadini também não o quer de volta. Aos amigos o dirigente diz que promover a volta do jogador ao Corinthians seria uma medida suicida. "O índice de rejeição do Marcelinho no elenco é muito grande", costuma afirmar Citadini. O dirigente também não tem bom relacionamento com James Fernando Arruda, que além de procurador é uma espécie de guru do craque. E a aversão é recíproca. James já disse para a Agência Estado que "não se deve confiar no que o Citadini fala". Alberto Dualib, presidente do clube, defende o retorno do jogador ao Parque São Jorge. Mas não quer arrumar inimigos com os conselheiros. Sabe que a decisão de reintegrar o jogador é polêmica e divide o Conselho Deliberativo corintiano. Como no fim do ano haverá eleição para presidente no clube e Dualib vai tentar mais uma reeleição, prefere ser cauteloso. Para o presidente, é melhor Marcelinho ir ao Japão e ficar por lá durante um ano. Depois, talvez sem Scheidt - cujos direitos federativos pertencem ao Celtic, da Escócia - e Ricardinho - que tem interesse em se transferir para o exterior - a volta do jogador seja possível.

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2002 | 21h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.