Marcelo Bielsa quer Argentina mais ousada

Marcelo Bielsa, técnico da Argentina, quer testar um novo esquema no jogo de amanhã, às 20 horas, em Buenos Aires, contra o Equador. Seria o 2-3-2-3, o que permitiria a reunião de Aimar, Riquelme e D?Alessandro, um velho sonho da torcida.Apesar de ser chamado de "Loco", Bielsa tem um comportamento conservador na hora de escalar a Seleção Argentina. Sempre coloca um zagueiro a mais do que o número de atacantes que o adversário traz a campo. Como a grande maioria atua com dois atacantes, ele geralmente escala um líbero e mais dois zagueiros.Como o Equador promete ser cauteloso, com uma linha de quatro zagueiros, quatro volantes, um armador e apenas um atacante - provavelmente Tenório - Bielsa escalaria apenas dois zagueiros: Roberto Ayala, do Valencia, e Gabriel Heinze, do PSG, que substituirá Samuel, suspenso.Battaglia, um dos melhores jogadores da campanha do Boca na última Libertadores, e que agora atua no Villarreal, será o volante. Ao seu lado direito, Zanetti, da Inter de Milão; à esquerda, Sorín, atualmente no PSG. São jogadores ofensivos, atacam em diagonal.E aí começa a festa para a torcida. Pela direita, Pablo Aimar, do Valencia, um jogador de toques curtos e dribles curtos; e pela esquerda, Riquelme, o ídolo do Boca que fracassou no Barcelona e agora tem reagido no Villarreal. Riquelme é o oposto de Aimar. Mais alto, com 1m82 contra 1m70, é bem mais lento. Mantém a bola sob domínio e sempre recebe muitas faltas. Todos sempre quiseram vê-los juntos. Só agora Bielsa resolveu ouvir.Mas não serão apenas estes dois meias. André D?Alessandro, do Wolfsburgo, da Alemanha, um dos grandes nomes da nova geração argentina vai revezar-se pela meia e ponta-esquerda. Com 1m63 e apenas 54 quilos, não tem medo de cara feia. Já marcou 11 gols pela Seleção. Cruza bem. Essa é uma das exigências de Bielsa.O ataque se completa com César Delgado, do Cruz Azul, de 1m68, um ponteiro típico, com bom drible. E Hernán Crespo, o centroavante. Bielsa não abre mão dele. Livre da sombra de Batistuta, Crespo tem a chance de provar o seu valor. Tem 1m84, é forte e cabeceia bem.Com essa postura ofensiva, Bielsa tenta retomar o ritmo das Eliminatórias passadas, quando a Argentina, desde a primeira rodada, mostrou-se muito superior aos adversários. Por enquanto, o time não encantou. Estreou com um empate por 2 a 2 com o Chile, em Buenos Aires; depois venceu a Venezuela fora de casa por 3 a 0; e a Bolívia em Buenos Aires. Na quarta rodada, empatou com a Colômbia em Barranquilla.Equador - O Equador, treinado pelo colombiano Hernán Darío Gómez, tenta repetir a façanha das últimas Eliminatórias, quando conseguiu, pela primeira vez em sua história, a classificação para o Mundial. Para isso, não pode cometer erros. O time empatou com o Peru em Quito, 0 a 0. São dois pontos perdidos. É preciso recuperá-los. Como não tem pressa, Gómez se contentaria com um empate amanhã.A Seleção Equatoriana viajou sábado para a Argentina, com apenas oito jogadores. O vôo fez uma escala em Lima, onde recolheu outros seis, pertencentes à LDU, que enfrentou o Alianza Lima, quinta-feira, pela Libertadores. Em Buenos Aires, se juntaram os cinco convocados do Barcelona, que havia enfrentado o Jorge Wilsterman na Bolívia. Ontem, chegou Ulisses de la Cruz, do Aston Villa, da Inglaterra. E amanhã, todos fechados, em busca de um ponto que pode fazer a diferença mais tarde.

Agencia Estado,

29 de março de 2004 | 10h44

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