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Marcelo encara a saga da lateral esquerda da seleção brasileira

Camisa que portará o jogador tem tradição de craques consagrados do futebol nacional

Antero Greco , Especial para O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 07h40

Marcelo é rapaz de talento, ganhou a confiança de Felipão e só não será titular durante toda a Copa se algo de extraordinário (e negativo) ocorrer. É o momento dele, e Maxwell não lhe faz sombra. Pelo menos em teoria.

Marcelo, porém, carregará nas costas a responsabilidade de honrar a camisa 6 (ou 4, ou o número que tenha nos dias de hoje) da seleção. A danada da amarelinha já recobriu de gente de alto gabarito. Não é exagero arriscar que, salvo uma ou outra exceção, só foi entregue a craques nos Mundiais.

Como a todo momento recorremos a 1950, não custa lembrar que naquela Copa quem mandou no pedaço foi Bigode, do Flamengo. Na Suíça, em 1954, já perambulava por lá um tal Nilton Santos, que atuava ainda como zagueiro. O "tal" se transformou, com o bicampeonato de 1958 e 1962, na Enciclopédia. Nilton Santos foi o maior lateral-esquerdo da história do nosso futebol. Um monstro.

Só dois sucessores tiveram longevidade parecida com a de Nilton na lateral: Branco e Roberto Carlos. O primeiro ganhou força na Copa de 1986, no México, quando Júnior preferiu ser deslocado para o meio-campo (havia sido titular em 1982, na Espanha). Branco participou do desastre de 1990 na Itália e estava na reserva de Leonardo, em 1994. Entrou depois que o titular foi suspenso e teve papel importante na arrancada para o tetra.

Roberto Carlos poderia ter feito parte do grupo tetracampeão, pois se destacava no Palmeiras já em 1994. Preterido por Parreira, naquela ocasião, compensou com três Copas seguidas: as de 1998, 2002 e 2006 (com Parreira de volta ao comando). Por ironia do destino, se despediu da seleção na derrota para a França (1 a 0, nas quartas de final). A imagem que ficou foi a dele a ajustar o meião enquanto Henry subia livre para cabecear para o gol. Injustiça com Roberto Carlos.

A seleção teve vários "donos" temporários na lateral, em sua trajetória nas Copas. Em 1966, por exemplo, foi o momento de Rildo, antigo jogador de Botafogo e Santos. No tri, em 1970, no México, o titular seria Marco Antônio. Consta que "amarelou" na estreia e perdeu o posto para Everaldo. A dupla se revezou até 1973. Na Copa de 1974, a vaga foi para Marinho Chagas, do Botafogo.

Bizarra a situação de 1978. O técnico Cláudio Coutinho cismou que o zagueiro Edinho deveria ser deslocado para a esquerda e assim o fez. Com muita relutância, deu algumas oportunidades para Rodrigues Neto, o especialista da posição. Não menos fora de padrão foi a escolha de Dunga, em 2010, ao optar por Gilberto e Michel Bastos, enquanto Marcelo já sobressaía na Espanha.

Agora chegou a vez de Marcelo. O peso da história não é pouco.

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