Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Marcelo garante não se sentir absoluto na lateral esquerda da seleção

Jogador do Real Madrid prefere acreditar que não é intocável e ressalta presença de Maxwell

Robson Morelli, enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 07h00

TERESÓPOLIS - Marcelo tentava levar a sério as perguntas de sua entrevista coletiva desta quarta-feira até ser surpreendido por uma informação equivocada, dada por um jornalista, sobre o dia de seu aniversário – que é 12 de maio, e não 12 de junho, como foi dito. Tido como o jogador mais brincalhão da seleção brasileira, o lateral do Real Madrid abusou das caretas. Mas também falou sério. E chegou até mesmo a se irritar.

Em uma de suas respostas, Marcelo foi enfático ao rebater a opinião de que o Brasil revelou poucos bons jogadores nos últimos anos. "Você acha mesmo que o Brasil não está formando craques? Essa pergunta é sua? Acho que você está de sacanagem. É só ver os jogadores da seleção e os jogadores que não vieram para a seleção. Os brasileiros estão arrebentando na Europa...", disse o lateral, dirigindo-se ao jornalista que dera a opinião. Depois, ele pulou fora de qualquer comparação entre o Real Madrid e a seleção brasileira. "Na moral, um é um time e outro é uma seleção. São diferentes, sem comparação."

Embora seja titular de Felipão e do clube espanhol, apesar de ter ficado no banco nas últimas partidas do Real, Marcelo não se vê como dono da posição. "Não me acho uma certeza no time. Não fui em 2010, na África do Sul, mas minha esperança de disputar uma Copa nunca acabou. Mas não me sinto garantido no posto. Achar isso seria até um desrespeito com o Maxwell (seu reserva). Eu brigo para jogar. E ele também."

Há oito anos na Europa, Marcelo diz ter aprendido muito nas últimas temporadas. Ele acredita estar mais maduro, a ponto de conhecer bem suas obrigações em campo. Seu talento do meio para frente é incontestável. Ocorre que o mesmo não se vê do meio para trás, seja na seleção ou no Real.

Felipão confia muito em Marcelo e somente por uma mudança tática, caso o treinador queira "amarrar" mais o lado esquerdo, ele poderá deixar a equipe. O lateral pegou carona na nova fase da seleção, iniciada na conquista da Copa das Confederações, e na boa temporada do clube espanhol, vencedor da Liga dos Campeões. "O Brasil sempre foi respeitado e nunca perdeu isso. Sabemos que os espanhóis são os melhores do mundo, mas eles sempre respeitaram a seleção brasileira."

PROTESTOS

Marcelo diz respeitar as reivindicações dos brasileiros, mas não se coloca na briga por melhorias no País. Ele condena a violência e ressalta que os jogadores da seleção têm de jogar futebol e ganhar títulos. "Nosso teto é jogar bola e dar alegria ao povo brasileiro. Cada um tem sua opinião e respeito todas, mas acho que nossa forma de ajudar é jogar."

O favoritismo do Brasil, decantado por todos da seleção, não ilude Marcelo. Ele sabe que a equipe está bem montada, mas não quer pular etapas. Em sua primeira Copa, Marcelo diz que o torneio se destaca por ter os melhores jogadores, mas também porque a entrega de todos é muito intensa. "Todo mundo corre muito numa Copa, deixa a vida em campo. Mentalmente, o desgaste é enorme, há muita pressão mesmo."

Por isso, ele ainda não se imagina no Maracanã no dia 13 de julho, data da decisão da Copa. Marcelo prefere pensar passo a passo – primeiro na fase de grupos, depois nas oitavas, nas quartas, e assim por diante.

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