Márcio diz não temer "sombra" de Leão

Márcio Bittencourt não teme a "sombra" de Emerson Leão. O técnico corintiano, que começou como interino, sabe que, com Leão solto no mercado, a pressão pode aumentar. "Mas estou preparado para isso. Sei que tenho total respeito da diretoria e do pessoal da MSI, o Kia (Joorabchian) e o Paulo Angioni. Estou tranqüilo", afirmou Márcio.Márcio se diz amigo de Emerson Leão. E aposta que o ex-treinador de Santos e São Paulo seria incapaz de negociar com os dirigentes do Corinthians enquanto ele estivesse empregado. "Conheço o Leão desde os tempos de jogador. Sei muito bem do caráter dele. Não é à toa que é um grande profissional, com um excelente currículo", diz Márcio, que, aos 40 anos, está tendo sua primeira experiência como treinador. "Estou apenas começando, mas me sinto preparado."Além do respaldo da diretoria, Márcio tem o apoio dos atletas. "Ele vem fazendo um grande trabalho e todo mundo o respeita aqui", diz o meia Roger. "Se for preciso, vamos dar o sangue pelo Márcio. Ele me ajudou muito e tem um coração imenso. Todos gostam dele", emenda Carlos Alberto.Vindo desses dois, os elogios a Márcio poderiam parecer simples alfinetadas em seu antecessor, Daniel Passarella. Ambos tiveram problemas com o argentino. Mas não é só isso. Roger passou a jogar melhor com Márcio, que lhe dá mais liberdade em campo. E Carlos Alberto tem no treinador uma espécie de amigo, de psicólogo. "Ele conversa bastante com a gente".Carlos Alberto volta ao time no domingo, contra o Brasiliense, no Distrito Federal, após passar por um período de dificuldades. Primeiro, sentiu um problema de circulação sangüínea que lhe deixava com uma sensação de dormência nas pernas, além de um cansaço excessivo. Depois, teve diagnosticada uma gastrite, que se tornou úlcera. Por fim, afastado do time para tratar da doença, caiu em depressão e teve problemas até para dormir."Passei uma fase muito difícil. Tive que tomar calmante para pegar no sono. Mas sinto que, graças a Deus, tudo de ruim já passou. A úlcera foi cicatrizada e fui liberado para fazer o que gosto, que é jogar futebol", diz Carlos Alberto, que vem usando uma meia elástica especial para estimular a circulação sangüínea nas pernas.Ele, que já teve problemas de depressão quando jogava no Fluminense, conta que se apegou à religião para não sofrer novamente com a doença. "Tenho ido com o Rosinei a uma igreja evangélica."Carlos Alberto, aliás, entra no time no lugar do próprio Rosinei, que está suspenso. Se não houver um problema de última hora, Márcio deve mandar a campo no sábado a equipe que treinou nesta quinta: Fábio Costa, Edson, Anderson, Betão e Ronny; Wendel, Gustavo Nery, Carlos Alberto e Roger; Abuda e Jô.O atacante Gil, que pode se desligar do clube a qualquer momento, tem treinado à parte, lesionado. Ele aguarda propostas do exterior. A diretoria, também. Negociar Gil agora seria a única forma de o clube ainda lucrar com uma transferência do atacante antes do fim de seu contrato, em 31 de dezembro.Enquanto ninguém aparece para levar Gil, Kia Joorabchian, da MSI, segue na Europa tentando contratar Vágner Love. Disposto a pagar US$ 15 milhões (cerca de R$ 37 milhões) ao CSKA, o iraniano está otimista. Se os russos não receberem oferta maior nos próximos dias, Kia fica com Love.Antes de viajar, Kia acertou com o presidente Alberto Dualib os últimos detalhes do contrato de licenciamento da marca Corinthians com a MSI. Pelo contrato, a parceira fica com todo o lucro vindo dos produtos com a marca do clube por 10 anos. Para isso, compromete-se a dar US$ 20 milhões para cobrir dívidas do clube - mais de US$ 10 milhões já teriam sido usados.

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