Márcio: é uma honra ter a cara da Fiel

Cinco vitórias em cinco jogos. Às vezes, o próprio Márcio Bittencourt não acredita num sucesso tão repentino. Mas não se ilude, nem pensa pequeno. Nesta entrevista, o ex-interino que assumiu o Timão há apenas 40 dias, fala de seus planos, das vaidades de um elenco antes "rachado" e também o que sente quando ouve "Márcio, você é a cara da Fiel". O que mudou na sua vida? Já não dá mais para andar na rua como andava antes, não? Márcio - (risos) É verdade. Mas sabia como era essa vida. Joguei muito tempo num time grande (o próprio Corinthians), estava acostumado com assédio. Gosto disso. Mas já não tenho tempo pra ficar com a família. E tenho de tomar certos cuidados, principalmente com segurança.Falando nisso, você chegou a divulgar numa entrevista coletiva o seu salário. Isso não é comum. Por que fez isso?Márcio - Fiz por medo de ocorrer comigo o que houve com o Marinho e outros (ter um parente seqüestrado). Com todos sabendo o que ganho de verdade, o risco diminui.Como se define como técnico?Márcio - Sou extremamente metódico. Chego a ser chato. Eu me cobro muito, sou perfeccionista. Para os jogadores, porém, tenho sempre que passar tranqüilidade. Converso bastante com eles.Quem te conhece bem diz que você é o tipo do cara que não aceita perder de jeito nenhum.Márcio - (risos) É verdade. Mas tenho me controlado mais, sabia? Como atleta, não aceitava perder de jeito nenhum. Dava sangue mesmo! Mas com a idade pesando, três filhos, você aprende a assimilar uma coisa ou outra. A única coisa que não aceito é mentira. Odeio mentira.Dentre essas coisas a serem assimiladas estão ?sapos? que você acaba tendo de engolir, não? Seja de imprensa, dirigente...Márcio - É. O tempo como jogador me deu boa vivência para administrar isso. Ouço e nem ligo. É normal, faz parte do futebol. Sinto que tenho total respeito da diretoria.Você está com 40 anos e é sua primeira experiência como técnico. Sentia-se pronto mesmo?Márcio - No futebol, tem que estar preparado pra tudo. A chance não avisa quando vai chegar. Eu me sentia pronto. Trabalho no clube há dois anos, conheço todos, vivo o futebol desde 84. Sei como as coisas são.Consegue se imaginar em outra área que não seja o futebol?Márcio - Não. O mais longe do campo que fiquei foi como gerente de futebol de um time do interior, o Jaboticabal.A maior ambição de um técnico é a Seleção. Já sonha com isso?Márcio - Claro que sonho. Mas procuro ir sempre com os pés no chão, vivendo o dia-a-dia do clube. No momento, só penso no Corinthians.Você jogou por quase 10 anos no Corinthians e agora é técnico do time. Quando sair e cair no mercado como técnico comum, teme ser prejudicado por ter a imagem muito ligada ao Timão?Márcio - Não, acho que isso não vai ocorrer.E o que sente quando dizem que você tem "a cara da Fiel"?Márcio - Sinto um orgulho imenso. Desde os tempos de jogador ouvia isso. Para mim, é uma honra.Qual seu maior mérito até agora no comando do time?Márcio - Humildade.Em que sentido?Márcio - Em todos. É preciso ser humilde em tudo. E ser honesto, sempre.Com o Passarella, era comum ouvir que o "elenco estava rachado". Houve até brigas como a do Tevez e o Marquinhos. Depois que você assumiu, isso acabou. O que aconteceu? O que você fez?Márcio - Intrigas sempre vão haver. Não jogamos tênis, mas futebol, um esporte coletivo. Tenho vinte e poucos jogadores com o mesmo objetivo, que é jogar. É difícil administrar. O diálogo é fundamental.E as vaidades do elenco?Márcio - Vaidade todos têm. Eu também tenho a minha. É preciso conhecer o jogador a fundo. Meu trabalho é fazer com que todos esqueçam o individual e trabalhem o coletivo.Qual carreira é mais difícil, a de técnico ou de jogador?Márcio - Como técnico você sofre mais.

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