Márcio reforça: só sai se quiserem

Um dia depois de confirmar uma proposta do futebol japonês, Márcio Bittencourt fez questão de reforçar sua intenção de só deixar o cargo de técnico do Corinthians quando não contar mais com o apoio da diretoria. Ele garante que nem mesmo as críticas da torcida e a pressão por causa dos tropeços da equipe nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro o farão mudar de idéia."Procuro me acostumar com tudo isso (a pressão) e estou encarando numa boa. Já estou ficando com o couro grosso. Faz parte da profissão", explica Márcio. "Enquanto eu tiver o respaldo da diretoria, continuo. O dia em que isso não acontecer, sou o primeiro a pedir o boné."Segundo ele, a proposta do futebol japonês não passou de "especulação". No entanto, ressaltou que a partir do momento em que assumiu o cargo de técnico do Corinthians, em substituição ao argentino Daniel Passarella, e passou a comandar um dos favoritos ao título do Brasileiro, sua carreira deu uma guinada. "Deixei de ser auxiliar para me tornar técnico. Não sou de me promover. Me perguntaram se eu gostaria de trabalhar no Japão e eu disse que sim. Só isso. Nada de mais sério. Simples especulação. Continuo funcionário do Corinthians."Márcio não se aflige também quando o assunto é o clássico de quarta-feira, contra o São Paulo, no Morumbi. Adota o discurso de respeito ao adversário, mas ele nem dá bola se a recente história dos confrontos tem sido marcada pelo fim do emprego dos treinadores do lado corintiano. Foi assim com Juninho Fonseca, no Campeonato Paulista do ano passado (derrota por 1 a 0); Tite, no Paulistão deste ano (novamente 1 a 0); e Daniel Passarella, no primeiro turno do Brasileiro (5 a 1). "Isso aí é uma simples coincidência. Nada premeditado. É um jogo importante, porque todo clássico é um divisor de água. Temos de permanecer tranqüilos, trabalhando e fazendo de tudo para não tirar o foco dessa partida. Para ser campeão, temos de superar as dificuldades."A cautela de Márcio no discurso é para não assumir o papel de favorito. Nem mesmo os 15 pontos que separam o Corinthians do rival na classificação valem como argumento. "Todo São Paulo e Corinthians se torna complicado. Em qualquer situação. Nós queremos voltar à liderança e o São Paulo subir na tabela", analisa Márcio, apontando as mudanças que aconteceram nos dois times desde o fiasco no jogo do primeiro turno. "O Corinthians está mais maduro. E o São Paulo foi campeão de uma importante competição recentemente."O treinador contou também que teve uma conversa particular com Tevez a respeito das expulsões - já foram três. "Um jogador de seleção, como ele, precisa de mais calma antes de certas atitudes. Não comentarei arbitragem, mas ele apanha bastante. Está sempre com a canela arrebentada", afirmou.

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