Marco Aurélio Cunha: 'Corinthians copiou o São Paulo'

Para dirigente, passagem de Adriano no Morumbi teve o mesmo impacto da contratação do Fenômeno pelo rival

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2008 | 18h59

Ao mesmo tempo em que deixou a rivalidade de lado e elogiou a contratação do atacante Ronaldo pelo Corinthians, o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, deu nesta quarta-feira uma cutucada na diretoria do clube do Parque São Jorge. Com sutileza. "O Corinthians copiou o São Paulo, que trouxe o Adriano no ano passado. Eles vieram nessa esteira. O São Paulo é o pioneiro", provocou Cunha, durante o último dia de realização do Footecon 2008, fórum de futebol organizado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, no Riocentro (zona oeste da cidade). Veja também:Procura por camisas de Ronaldo no Corinthians é grandeJorginho diz que dificilmente Ronaldo retornará à seleçãoRonaldo Fenômeno acerta com o Corinthians Veja imagens da carreira de Ronaldo TV Estadao: Corinthians acerta com a contratação de Ronaldo O Corinthians acertou em contratar Ronaldo Fenômeno? Bate-Pronto: Ronaldo e o sonho do Corinthians Dê seu palpite no Bolão Vip do Limão O dirigente são-paulino usou até uma metáfora para falar sobre a chegada do Fenômeno ao Parque São Jorge. "Essa contratação é como comprar um barco. Se usá-lo, será ótimo. Caso contrário, será um desastre", disse, ressaltando em seguida que será frustrante "para todos" se o craque não voltar a entrar em campo. Ronaldo ainda se recupera de contusão no joelho esquerdo e sua última partida oficial foi em fevereiro deste ano.  Para Cunha, o acordo do Ronaldo com o Corinthians foi uma bela ação de marketing, mas ele espera que também surta efeito em campo. "É arriscado contratá-lo, mas, se você não tiver ousadia no futebol, não vai a lugar nenhum. Foi arriscado também o São Paulo contratar o Carlos Alberto e o Adriano e eu não me arrependi nos dois casos". Em sua visão, a chegada de um jogador do porte do Fenômeno também servirá para elevar a auto-estima do Corinthians, que retorna em 2009 à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, após conquistar a Série B. "Mesmo se estiver longe do seu melhor nível, ele já vai abrilhantar o Campeonato Paulista. Quero muito vê-lo fazendo gols. Ele é um patrimônio do Brasil, um jogador que nós todos queremos bem. Torço pelo Ronaldo, mas certamente vou torcer mais para que meus zagueiros parem ele", brincou. Na contramão dos dirigentes do Flamengo, Cunha não considera que o Ronaldo traiu o clube carioca. O atacante utilizou a Gávea por três meses para recuperar a forma física e sempre manifestou vontade de vestir a camisa rubro-negra. "Acho que pode ter sido até uma indelicadeza, mas uma indelicadeza que talvez o Flamengo não tenha conseguido cumprir economicamente com aquilo que talvez o Corinthians, como projeto, tenha feito", opinou.  Ele lembrou que, em 2006, o meia Zé Roberto, ex-seleção brasileira e Portuguesa, chegou a fazer tratamento no São Paulo para curar uma contusão e depois acertou com o Santos. "Não fiquei chateado. A gente não deve tratar um atleta pensando que ele retribua por obrigação. O Flamengo tem suas razões de ficar magoado, mas não de falar que o Ronaldo o traiu." Perguntado se o São Paulo tentaria repatriar algum craque para a próxima temporada, entre eles o meia Kaká, Cunha respondeu: "Não posso sonhar com ele. O São Paulo já tem um Kaká que se chama Hernanes. Daqui a pouco tem também o jovem Oscar (meia-atacante de 17 anos) . Podem me cobrar."

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