Marco Aurélio não tinha mais clima

As desavenças com o grupo do Palmeiras fizeram o técnico Marco Aurélio pedir demissão do cargo na manhã desta sexta-feira. A decisão ocorreu após reunião do treinador com o presidente Mustafá Contursi, da qual participaram também o diretor de futebol, Américo Faria, e o coordenador Márcio Araújo. Segundo Mustafá, que esteve hoje na Academia, o técnico deixou claro que não havia mais ambiente para ele continuar. "O Palmeiras não demite ninguém. Ele nos procurou e disse que era o momento de sair", observou o dirigente.Mesmo com as declarações do presidente, Américo Faria preferiu continuar com as respostas evasivas que vinha dando desde que assumiu o cargo de diretor. Ele, que vinha garantindo a permanência de Marco Aurélio no cargo, apenas declarou que "houve um consenso para a saída do treinador", deixando em aberto a possibilidade do técnico ter sido demitido.Para a partida contra a Inter de Limeira, no domingo, Márcio Araújo deverá assumir a função interinamente. "Enquanto o novo técnico não for contratado, contribuo como funcionário", declarou o coordenador. Márcio Araújo adiantou, no entanto, que não há possibilidade dele ser efetivado no cargo.Entre os possíveis substitutos de Marco Aurélio, os nomes mais fortes são os de Celso Roth, Oswaldo de Oliveira e Carlos Alberto Parreira - os três atualmente estão desempregados. Na entrevista coletiva esta tarde, Américo Faria revelou que ainda não havia entrado em contato com o treinador de sua preferência. Celso Roth, que estava a caminho de Caxias do Sul hoje à tarde, vindo de Porto Alegre, disse estar orgulhoso por ter sido lembrado e que teria muito interesse em ser contratado por um clube de São Paulo. "Ainda mais o Palmeiras, que irá disputar importantes torneios neste ano", ressaltou.A situação de Marco Aurélio no cargo estava instável desde o início do ano, quando torcedores fizeram seguidas manifestações pedindo sua saída. Ele também já não estava sendo bem visto por alguns jogadores do grupo. Há cerca de duas semanas, afastou o zagueiro Argel, porque o jogador se recusou a ficar no banco de reservas. Já o goleiro Marcos, que acabou ganhando a posição de titular de Sérgio, ameaçou deixar o clube caso continuasse na reserva. E quando tornou-se o titular, foi Sérgio quem se queixou afirmando ter sido traído e deixou claro que havia outros atletas descontentes no elenco.Diante desta situação, Marco Aurélio sentiu-se isolado. "São coisas do futebol. Quando os resultados não vêm, o treinador acaba sendo o mais pressionado", definiu Márcio Araújo.Tendo estreado em 29 de julho do ano passado, Marco Aurélio dirigiu a equipe do Palmeiras em 51 partidas. Foram 21 vitórias, 14 empates e 16 derrotas.

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