Marcos ainda quer títulos no Palmeiras

Prestes a completar 32 anos (no dia 4 de agosto), o goleiro Marcos ainda tem um sonho na carreira: voltar a ser campeão com o Palmeiras. O jogador, de molho por conta de dores no pulso esquerdo, fala à Agência Estado sobre a nova fase da equipe, agora sob o comando de Leão.Agência Estado - O Palmeiras tem time para ser campeão?Marcos - Temos um time reforçado. Trouxeram atletas de qualidade para sermos favoritos. Mas sabemos que existe uma distância grande entre contratar e conseguir formar um time vencedor. É preciso entrosamento. Penamos por isso. Mas tenho certeza: o time vai melhorar com o Leão. Vamos brigar pelo título, como Corinthians, Inter e São Paulo.AE - Você considera uma conquista o título da Série B?Marcos - Considero. Não gostaríamos de ter disputado a Segundona, mas a conquista deu orgulho. Caímos, fomos criticados, e voltamos jogando futebol. Foi difícil. Não é fácil cair e subir no ano seguinte. Feliz daquele que cai e volta rapidamente. Tenho orgulho, sim.AE - É hora de um novo título?Marcos - Queremos ganhar sempre, mas todo time que sofre desmanche passa por momentos ruins. O São Paulo e o Corinthians passaram por isso. O Santos talvez viva um período sem ganhar nada. Mas nós voltamos a ter esperanças no futuro do Palmeiras.AE - Qual é sua opinião sobre o presidente Affonso Della Monica?Marcos - Ele sempre foi ligado ao futebol. Desde 92, quando subi para o profissional, sempre o via nos jogos. Antes de ser presidente, foi uma pessoa que acompanhou muito o futebol do Palmeiras, é um torcedor, quer o bem do clube. Não que o Mustafá não gostava de futebol, mas o Della Monica sempre foi mais presente. Espero que ele seja tão vencedor quanto foi o Mustafá.AE - O Leão disse que no Brasil só há jogador ?ponta-de-estoque?. O que você acha disso?Marcos - Os bons só saem porque alguém vende. E depois sobra para o atleta, que passa por mercenário. Ninguém é comprado se o dono não quer vender. O que está estragando é que os atletas estão subindo para o time profissional novos demais, com um monte de defeitos. Existe pressa de formar e vender para sustentar o clube.AE - O que mudou com o Leão?Marcos - A sorte. Contra o Fortaleza, tivemos 16 chances e fizemos um gol. Contra o Atlético-MG, tivemos três e vencemos. O trabalho dos jogadores é o mesmo, mas com o Leão a bola está entrando. Não sei se é porque os jogadores pegaram confiança. Eu ainda não tive a oportunidade de jogar com ele, não sei o que é falado aos atletas, qual é a psicologia que ele usa.AE - Não há mais racha no elenco?Marcos - Não havia racha. Ocorre que quando ganhávamos, todos falavam. Mas quando perdíamos, só eu dava entrevista. Fiquei marcado negativamente. Não podia falar nada que achavam que eu estava criticando alguém. Com a chegada de jogadores como Marcinho, Gamarra, Juninho, isso muda. Eles falam e todos entendem. Eles têm nome e opinião formada. Ainda tem o Leão, que segura as broncas. Não quero ser o centro das atenções.AE - O Leão usou você para dar um recado ao grupo?Marcos - Acho que não. Eu conversei com ele, estava com problemas no pulso esquerdo. Já estava combinado de parar. No ano passado, fiquei parado durante seis meses. Não queria ficar parado novamente. Acabaria me estourando. E ficaria jogado na Academia. Falei para o Leão que estava sem tesão. Não tenho como evitar a dor na mão. Ele compreendeu. Mas o Leão sabe que não sou mais um goleiro que pode fazer tudo o que os outros fazem.AE - Quais são seus planos?Marcos - Tenho contrato até junho de 2007. Penso em conquistar alguma coisa no Palmeiras. Passamos por momentos duros, como a Segundona, e muita gozação. Quero voltar a ser campeão aqui.AE - Pensa na aposentadoria?Marcos - Jogador não pára, é o futebol que pára com ele. Até 2007 dá para cumprir o contrato. Não sei se o Palmeiras vai querer prorrogá-lo. Nunca fui de desperdiçar dinheiro. Tenho algumas economias, elas me ajudarão. Preciso me preparar para ser outra coisa. Por exemplo: técnico. Mas sei que não é fácil. Você passa a semana ensinando o cara a chutar e na hora de fazer o gol, ele manda a bola por cima. E a torcida chama o técnico de ?burro?. E se não aparecer nada, volto para Oriente e fico lá gastando uma miséria por mês.

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