Marcos e Muñoz: perdão e mágoa

Muñoz e Marcos concederam entrevista nesta segunda-feira à tarde e tentaram amenizar o clima de tensão que ficou no ar após trocarem socos no rachão de sábado. Mas pelo tom do discurso de ambos, ficou claro que a mágoa ainda vai demorar para desaparecer. Marcos foi direto ao afirmar que decidiu perdoar Muñoz pensando no bem do grupo. Já o colombiano garantiu que não vai procurar o companheiro para conversar, deixando no ar a idéia de que esse fato terá que acontecer com naturalidade. O único vencedor da história foi o técnico Jair Picerni, que participou de uma reunião com os dois jogadores e com o presidente Mustafá Contursi nesta segunda pela manhã e não teve o seu comando questionado. ?O chato é ouvir que o Jair perdeu o comando. Ele não merecia passar por isso. Não tem culpa de nada?, disse Marcos. ?Essa foi uma situação anormal que foge do controle da comissão técnica. Quero passar uma borracha em tudo o que aconteceu?, completou Muñoz. O fato de ter deixado o gramado com o nariz sangrando ainda abala Marcos, que condicionou a briga à falta de motivação de Muñoz no rachão. ?Ele tava com palhaçada, e foi o maior responsável pela derrota no nosso time no treino. Como para mim rachão é coisa séria, fui cobrá-lo. Desferi um chutinho na sua canela e recebi um soco na cara. Como homem, tinha duas opções: perdoá-lo, que foi o que decidi fazer, ou devolver na violência a agressão que sofri, o que não seria difícil, já que se pegasse o Muñoz para valer provocaria um estrago bem maior do que ele provocou em mim.?O atacante foi mais político e afirmou que a briga aconteceu porque Marcos estava de cabeça quente. ?Serviu como alerta para que não ocorra novamente. Mas é um fato normal dentro do futebol. Acredito que dentro de alguns dias a situação voltará ao normal, mas não quero forçar nada. Teremos tempo para conversar.?O desentendimento surpreendeu a todos no Palmeiras porque envolveu dois jogadores que sempre tiveram um relacionamento cordial.?O erro maior foi do Muñoz, que deveria ter encarado o rachão com mais seriedade. Mas agora não é momento de procurar um culpado. Não estou arrependido. Contra o Paulista de Jundiaí, na semifinal do Paulistão, agredi o Fabio Mello e fui pedir desculpas. Agora, mesmo tendo sido agredido, não poderia ter um comportamento diferente.?Muñoz discordou do companheiro. ?Os dois estão errados. Ele por bater primeiro e eu por revidar. No momento, não consegui evitar a reação. Até aceito ser xingado, mas jamais agredido. Não dá para prever se será fácil esquecer o que aconteceu.?O colombiano também nega que o fato tenha colaborado para aumentar o racha entre os jogadores. ?Esse time ganhou a Série B do Brasileiro e chegou à semifinal do Paulistão. Se fosse desunido, não teria chegado tão longe. Quero pensar apenas em dar prosseguimento ao trabalho da melhor forma possível.?

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