Marcos prega a paz para o clássico

Para "evitar uma guerra", dentro ou fora de campo, o goleiro Marcos adota um discurso politicamente corretíssimo para falar do clássico contra o Corinthians marcado para domingo no Morumbi. Consagrado às custas do rival, após atuações memoráveis nos duelos da Libertadores em 99 e 2000, Marcos não quer que declarações dos jogadores das duas equipes possam ser mal interpretadas pela torcida, o que poderia gerar confusão."Sabemos o que acontece com provocações. O clima fica quente, acontecem brigas, tiroteio. Não quero isso. Quero sentar na frente da tevê no domingo à noite e só ver notícia sobre futebol. Os programas esportivos estão virando programas policiais. Não quero saber que houve briga ou tiroteio por causa do jogo". Marcos ainda emenda: "Nós, como jogadores, temos de dar o exemplo positivo. Às vezes o que a gente fala é brincadeira, mas o torcedor leva para outro lado e aí pode iniciar uma confusão." O goleiro se diz amigo de muitos corintianos, como Fábio Costa, Gustavo Nery e Roger. "Sei da postura deles, que também é a de respeito. Em campo, se tiver que dar uma caneta, vai dar ´caneta´. Mas fora, o que vale é o respeito."Marcos admite que o Corinthians é o adversário a ser batido por todos na luta pelo título brasileiro. E diz que o clássico é decisivo para o Palmeiras. "É um jogo mais importante do que os outros, porque se perdemos o Corinthians amplia a vantagem e a gente praticamente dá adeus ao título."Ao falar disso, o goleiro lembra: "É o primeiro clássico valendo título depois de muitos anos. Até há pouco tempo, a gente disputava para ver quem estava mais ferrado."Apesar de colecionar várias glórias em cima do Corinthians, Marcos lembra que o Palmeiras não tem se dado bem contra o rival. Desde a semifinal da Libertadores de 2000, foram 11 duelos. E o alviverde venceu apenas uma, ano passado (4 a 0, pelo Brasileirão). "Não tenho levado muita sorte, né?"Experiência x correria - No geral, o goleiro enfrentou o Corinthians 20 vezes: ganhou sete, perdeu oito e empatou cinco. Levou 38 gols e viu seus colegas marcarem 41 no rival. "É sempre uma emoção diferente ganhar do Corinthians, mas mais por causa do sentimento do torcedor, que nos pára na rua para agradecer e fica com aquela vitória na cabeça por muito tempo. Por outro lado, se a gente perde eu levo uns dois dias para sair na rua. A cobrança é enorme."Com relação à equipe montada pela MSI, o goleiro não poupa elogios. "O Corinthians está com um time muito bem armado e a tendência é melhorar. Existe uma grande diferença entre contratar e montar um time. E a gente sabia que quando eles acertassem virariam um baita time."Questionado se a experiência dos jogadores poderia ser um fator positivo ? a média de idade dos palmeirenses é cinco anos maior do que a dos corintianos, 27 contra 22 ?, Marcos ponderou: "Podemos levar vantagem na experiência, mas eles, por serem mais jovens, têm mais correria."A experiência, no entanto, ainda é a maior qualidade do time, na opinião do goleiro. "O Palmeiras deu uma melhorada porque conseguiu uma mescla interessante. Antigamente, nosso time só tinha jovens, e assim não dá." Marcos citou um exemplo pessoal: "Quando chegaram Gamarra, Juninho, as coisas melhoraram 500% para mim. A cobrança passou a ser dividida. Agora, não sou só eu quem tem que vir dar explicação após as derrotas."

Agencia Estado,

11 de outubro de 2005 | 18h44

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