Marcos tinha pressentido a eliminação

Como um vidente, o goleiro Marcos estava pressentindo que o pior poderia ocorrer na fatídica noite de quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi. No mesmo dia da partida com o Boca Juniors, só que pela manhã, ele era convocado por Luiz Felipe Scolari para defender a seleção. Mas o palmeirense não conseguiu ficar muito animado com a notícia, porém, porque tinha um mau pensamento. "Fiquei feliz com a convocação, mas estava preocupado com o jogo, achando que algo ruim poderia acontecer."Para sua tristeza e a dos torcedores palmeirenses, Marcos acertou a previsão: o Boca ganhou nos pênaltis e garantiu vaga na final da Libertadores. Arrasado, pediu ao técnico Celso Roth que o liberasse da reapresentação, marcada para esta sexta-feira. Seguiu para Oriente, interior de São Paulo, para passar alguns dias com os pais antes de se apresentar a Scolari, segunda-feira, no Rio. "É legal saber que vou me apresentar à seleção, mas a mágoa dessa derrota vai ficar em mim pelo resto da vida."Marcos não ficou nada satisfeito com o empate conquistado diante do Boca no tempo normal. Ele sabia que uma hora seu time seria derrotado na decisão por pênaltis. "Queriam que fôssemos campeões da Libertadores ganhando quatro decisões por pênalti? Um dia a casa cai."Apesar de não ter defendido os pênaltis, Marcos foi um dos poucos jogadores aplaudidos pelos torcedores. Mesmo assim, ele deseja acabar com o rótulo de santo ou herói. "Nunca fiz questão de ser chamado de São Marcos, nem de estar no céu."De saída - O clássico sul-americano de quarta-feira marcou a despedida de Alex do Palmeiras. Não poderia ser mais triste. Ele perdeu o terceiro pênalti seguido e foi hostilizado por muitos palmeirenses. "Fora Alex", gritaram na frente do vestiário. O jogador sabe que será responsabilizado. "Não tudo, mas uma parcela boa vai cair em cima de mim", lamentou. "Acho complicado ficar no Palmeiras."Incrédulo, Alex admitiu não saber o que fazer para voltar a marcar gols de pênalti. Contra o Cruzeiro, já havia desperdiçado duas cobranças. "Treinar mais do que treino não dá." O empréstimo do jogador, que pertence ao Parma, termina agora e o Palmeiras não condições financeiras de comprar seu passe, avaliado em US$ 12 milhões.

Agencia Estado,

14 de junho de 2001 | 19h57

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