César Greco/Fotoarena
César Greco/Fotoarena

Marcos treina duro na Academia para fazer bonito na despedida

Ídolo deu longa entrevista ao site do clube, na qual falou da expectativa para a festa e do difícil momento do time, rebaixado para a Série B

O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2012 | 18h49

SÃO PAULO - O ex-goleiro Marcos iniciou na última terça-feira na Academia de Futebol do Palmeiras os treinos para o seu jogo de despedida, que será disputado no dia 11 dezembro, às 22 horas, no Pacaembu, com a presença de jogadores do presente e do passado. O ídolo palmeirense continuará treinando até o fim da próxima semana para poder fazer bonito na despedida, afinal, ele está há um ano parado.

 

Em entrevista ao repórter Fábio Finelli, do site do clube, São Marcos falou da expectativa para a despedida e não deixou de comentar sobre a queda do clube de coração para a Série B do Brasileiro.

Marcos admitiu que bateu certa saudade quando chegou ao vestiário e vestiu o uniforme que utilizou em tantos anos de carreira, mas que não sentiu tanto a longa ausência. “Sempre dá uma saudade. Era algo corriqueiro na minha vida. E vai ser a primeira despedida de um goleiro. Muitos atacantes tiveram despedidas, mas goleiro precisa de ritmo, precisa treinar um pouquinho. Foi legal esse retorno. Estou fazendo treinos leves, treinando chutes de longa distância. Achei que seria pior, mas fui bem. O importante é chegar para qualquer jogo com confiança. Estou treinando e fortalecendo a parte muscular para não fazer feio.”

Goleiro que nunca teve dificuldade para assumir suas falhas e dar a cara para bater, Marcos não está nem um pouco preocupado com a voracidade dos craques que vão fazer parte do jogo de despedida e, claro, vão querer deixar o seu golzinho. “Estou entrando em campo sem responsabilidade de levar gols. Não vale nada, é um jogo festivo. O importante era quando eu jogava, dava a vida para sair com a vitória. Sai de campo com várias fraturas porque me jogava nas bolas. Agora é tranquilo. A intenção é não levar gol, mas se acontecer não tem problema nenhum. É um jogo festivo, todos os atletas são ídolos, campeões. Não entrarei em campo com a preocupação de não sofrer gols.”

A lotação completa do Pacaembu no dia da despedia – 35 mil ingressos já foram vendidos – surpreende e emociona Marcos. “De certa maneira, fiquei surpreso. A torcida deu uma demonstração de carinho, às vezes acho que não sou merecedor de tudo isso. A torcida quer participar e tomara que todos gostem e vibrem com seus ídolos. São vários ídolos campeões pelo Palmeiras.”

Diversas vezes durante o calvário do Palmeiras para escapar do rebaixamento no Brasileiro, Marcos disse que não gostaria de fazer a despedida caso o pior acontecesse. Mas não teve jeito. Mas o goleiro quer fazer de sua festa um momento de alegria e de reconhecimento aos ídolos do passado do Verdão, que, tem certeza, sairá fortalecido da situação. “É óbvio que, como torcedor, queria me despedir em um momento melhor. Negociamos a partida de despedida no começo do ano, em fevereiro. Não sabíamos que o Palmeiras seria campeão da Copa do Brasil e muito menos que iria ser rebaixado. Tenho que cumprir contrato. Mas não vejo motivo para desespero. O Palmeiras vai dar a volta por cima, eu acredito nisso. Todos os jogadores fazem partidas de final de ano e esse jogo será igual a qualquer outro. E além disso teremos inúmeros ídolos que fizeram história no clube. O torcedor tem que pensar que esse jogo é um reconhecimento aos ídolos que passaram por aqui.”

Apesar de já ter pendurado as luvas, Marcos acompanhou o Palmeiras na maioria das partidas da Copa do Brasil e viveu o dia a dia do clube durante o drama da luta contra o rebaixamento no Brasileiro.  O ídolo, que viveu o primeiro rebaixamento do time no Brasileiro, em 2002, acha que o fato de não ter abandonado o time contribuiu para a moral que tem hoje com a torcida. “É um processo doloroso não apenas para a torcida, mas para quem trabalha aqui, para os jogadores. Ninguém gosta que isso aconteça. Eu fiquei numa situação constrangedora, pois quando o time ganhou a Copa do Brasil me chamaram de pé frio, e agora que caiu me chamaram de profeta. Na minha época, o Palmeiras caiu em 2002 e eu tinha contrato. Tenho muitos defeitos, e um deles é falar demais, mas eu tinha algo de bom que não era apenas o profissional. Eu era homem e torcedor. Sou assim: se me empresta, eu devolvo. Se eu quebro, eu arrumo. E como eu caí tinha a obrigação de subir. Me arrependo até hoje de não ter atuado no jogo da queda (contra o Vitória, em 2002). Na época, falavam que eu estava vendido, o que não era verdade. Em 2002, resolvi ficar para subir e não me arrependo de maneira alguma. Talvez a maior moral que eu tenha com o torcedor seja por causa disso.”

Pai de três filhos – o último, Marcos Vinícius, que nasceu há um mês –, Marcos nem hesita em responder que é bem mais fácil cuidar da prole do que voltar a entrar em forma. “Meus três filhos são bem tranquilos. O Luca, a Anna Júlia e agora o Marcos Vinícius. Ele dorme bem durante a noite, não incomoda. Acho que tem o DNA do pai, adora comer e dormir (risos). É bem sossegado. Ser goleiro profissional é muito desgastante. Fiz um treino de meia hora e quase tive um infarto. É uma profissão que exige muito, mas fiquei feliz de ter voltado. Perguntaram para mim se eu estaria bem para o jogo. Disse que é igual andar de bicicleta. Se fez uma vez, não esquece mais.”

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