Marília cumpre pena contra o Botafogo

Num julgamento controverso, antecipado e sem motivo mais claro, o Marília foi punido com a perda de mando de campo por um jogo em sessão extraordinária - a primeira desde o início do Campeonato Brasileiro - da 2ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O time paulista, de acordo com decisão tomada nesta noite pela CBF, vai cumprir a pena contra o Botafogo, terça-feira, em Presidente Prudente, no estádio Eduardo José Farah. O Marília pleiteava cumprir a pena somente na terceira rodada, diante do Palmeiras. O resultado da sessão - a punição foi aplicada por cinco votos a zero - deixou dirigentes do Marília indignados. "Tenho certeza de que houve armação, o senhor Bebeto de Freitas (presidente do Botafogo) articulou tudo. Logo após o nosso jogo, ele conversava ao telefone no saguão do hotel, em Marília, e dizia que nossa equipe perderia o mando de campo", protestou o presidente do clube paulista, José Roberto Duarte de Mayo. O processo teve origem após o relato do árbitro Heber Roberto Lopes de incidentes ocorridos no Bento de Abreu, no dia 21, no intervalo de Marília x Botafogo. Um copo d?água, um tênis e uma pilha foram arremessados da arquibancada sobre o assistente de arbitragem, Rogério Rolim. O copo o atingiu no rosto; a pilha, nas costas. Normalmente, o caso entraria na pauta da Comissão Disciplinar na próxima semana. Mas foi antecipado e aí surgiram as primeiras indagações sobre a credibilidade do tribunal. De acordo com o presidente da 2ª comissão, Aloysio Costa, a antecipação se deu por causa do grande volume de processos no fim de ano. "Para não ter acúmulo e que nada fique em curso para o início de 2004 é que foi tomada essa medida", ele disse, ao abrir a sessão. Sua explicação pode ser contestada pelos fatos. Nas últimas semanas, houve dia em que uma única comissão disciplinar (das três existentes) julgava até 30 casos. Esta semana, porém, o número de processos teve uma redução expressiva - ao todo, a 1ª, 2ª e 3ª comissões disciplinares analisaram 27 processos de segunda a quarta-feira. Isto tem uma lógica: com a desclassificação de dezenas de clubes das Séries B e C do Brasileiro, os recursos ao STJD passaram a ocorrer em quantidade bem menor. Em seu depoimento, o presidente do Marília lembrou que todas as providências foram tomadas antes da partida do dia 21. "Não vendemos bebida alcoólica e proibimos a entrada no estádio de guardas-chuvas, rádios de porte médio e grande, instrumentos musicais. A Polícia revistou todos os torcedores e chegamos a convidar formalmente o presidente do STJD, Luiz Zveiter, que é botafoguense, e o ouvidor da Série B, Francisco Horta, para assistir ao jogo", disse Duarte de Mayo.

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