Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Câmera de segurança filma porta de Marin 24 horas por dia nos EUA

Valor de fiança foi estipulado a partir de patrimônio do cartola

Thiago Mattos e Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

05 Novembro 2015 | 12h10

Assim como em um reality show, todos os movimentos de entrada e saída do apartamento do dirigente de futebol José Maria Marin, ex-presidente da CBF, passaram a ser filmados por uma câmera apontada para a única porta de seu apartamento na Quinta Avenida, em Nova York. A instalação da câmera de segurança 24 horas por dia desde sua chegada nos Estados Unidos faz parte do acordo firmado entre o brasileiro e a Justiça americana.

Segundo o acordo, Marin deve arcar com todas as despesas referentes ao aparato necessário para sua prisão domiciliar, como a tornozeleira eletrônica que já monitora seus passos desde sua primeira noite em casa. O valor da fiança considerou todo o patrimônio acumulado por Marin desde que foi ex-governador de São Paulo até antes de ser banido do mundo do futebol pela Fifa, em maio deste ano, quando foi preso pelo FBI por acusação de suborno e de pagar porpinas. Também entrou na conta o patrimônio de sua esposa, Dona Neusa, que precisou assinar as garantias dadas à Justiça americana.

Para os US$ 15 milhões (R$ 57 milhões) do acordo foram considerados um depósito de US$ 1 milhão na conta do governo americano, a caução do imóvel em Manhattan, avaliado em US$ 3,5 milhões, e uma carta bancária de crédito que garanta o restante.

SEGURANÇA

Acusado de receber milhões de dólares em propina e desviar dinheiro referente às vendas de direitos de transmissão da Copa América e da Copa do Brasil, Marin está proibido de manter contato com qualquer membro do mundo do futebol. Além de passar a ser vigiado 24 horas por dia, Marin já tem um segurança particular que deve reportar os passos do ex-dirigente à Justiça. 

Pessoas próximas ao cartola garantem que ele encara o acordo de forma positiva, já que com ele tem melhores chances de defesa em seu julgamento, que deve levar cerca de um ano e meio para acontecer. Sua primeira audiência em Nova York está marcada para o dia 16 de dezembro. Segundo fontes ligadas ao ex-dirigente, o brasileiro tem interesse em encerrar o processo o quanto antes.

Em compania da mulher, Marin passou seu primeiro dia em Nova York assintindo ao noticiário e lendo revistas. Por enquanto, o brasileiro que se diz inocente das acusações não tem planos de sair de casa. Ele estava preso deste o dia 27 de maio na Suíça. 

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