Felipe Rau/Estadão
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Marin aluga sua mansão para bancar custo de prisão nos EUA

Detido em seu apartamento na cidade de Nova York, ex-presidente da CBF espera receber até R$ 110 mil por mês

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2016 | 17h00

Para ajudar a pagar os custos de sua prisão domiciliar em Nova York, o ex-presidente da CBF José Maria Marin colocou para locação uma mansão comprada por ele em 2014. O aluguel do imóvel, localizado no Jardim Europa, uma das regiões mais nobres de São Paulo, é de pelo menos R$ 110 mil por mês.

A mansão, que já pertenceu à família Klabin Lafer (líder no setor de produção de papel no Brasil), fica em um terreno de 2.600 m² e tem 818 m² de área útil. Possui dois andares, 12 salas e dez banheiros. A área externa tem dezenas de árvores e estacionamento para até 30 carros. Fica próxima ao MIS (Museu da Imagem e do Som).

O imóvel está disponível para locação na internet em pelo menos dois sites de imobiliárias especializadas em empreendimentos de alto padrão na região do Jardim Europa. Nas imagens internas do imóvel, é possível observar que a casa está equipada com alguns móveis e sistema de ar-condicionado.

Em uma imobiliária, o valor da locação é de R$ 110 mil por mês. Em outra, é de R$ 120 mil. Antes de Marin comprar o imóvel, funcionava no local uma clínica médica de oncologia.

A mansão está desocupada e tem causado prejuízo ao ex-presidente da CBF. Segundo dados da Prefeitura obtidos pelo Estado, o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) deste ano da casa foi de R$ 199,6 mil.

A mansão foi comprada pelo ex-dirigente em 2014, ano da Copa, e está registrada em nome da JMN Empreendimento e Participações. Marin pagou R$ 13,5 milhões aos antigos donos, Miguel Lafer e Vera Lafer, de acordo com matrícula no 4.º Cartório de Registro de Imóveis da Capital. O instrumento de promessa de venda e compra foi assinado em 16 de abril de 2014, mas a escritura foi registrada quase um ano depois, em 6 de março de 2015.

Nos dados cadastrais da Prefeitura, o valor venal atualizado da mansão no Jardim Europa é de R$ 23.797.812,00, quase o dobro da quantia paga por Marin.

A empresa JMN Empreendimento e Participações foi constituída pelo dirigente para administrar seus bens. No dia 14 de agosto do ano passado, quando Marin já estava preso e acusado de corrupção e suborno, no entanto, ele retirou-se da sociedade e deixou como proprietários apenas sua mulher, Neuza Augusta Barroso Marin, e seu filho Marcus Vinícius Marin.

Na transação registrada na Junta Comercial de São Paulo, o ex-dirigente também transferiu a sua cota de participação na sociedade, no valor de R$ 91,8 mil, para sua mulher. Ela passou a ter R$ 183,6 mil do capital da empresa. Marcus Vinícius permanece como sócio, assinando pela JMN, e com valor de participação de R$ 122,4 mil.

A saída de Marin da empresa após sua prisão nos Estados Unidos faz parte da estratégia para tentar proteger o patrimônio da família, já que há a possibilidade de a Justiça americana pedir às autoridades brasileiras o confisco e bloqueio das contas e bens do ex-presidente da CBF registrados no País. O filho de Marin, responsável por cuidar do patrimônio da família enquanto o pai está preso em Nova York, não foi localizado pelo Estado.

RAIO X DA MANSÃO

Valor pago por Marin: R$ 13.500.000,00

Valor venal: R$ 23.797.812,00

Área do Terreno: 2.600 m2

Área Construída: 818 m2

Salas: 12

Banheiros: 10

Vagas de carro: 30

Aluguel: R$ 110 mil/mês

IPTU: R$ 199.641,50

 

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Ex-dirigente tem de pagar despesa de sua vigilância

Cartola brasileiro é envolvido em esquema de corrupção na Fifa e acusado de receber propina na Copa América

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2016 | 17h00

José Maria Marin, 84 anos, foi detido na Suíça em maio do ano passado e depois transferido para prisão domiciliar nos Estados Unidos. O ex-dirigente foi envolvido em um esquema de corrupção na Fifa e é acusado de ter cometido vários crimes, entre eles o de receber propinas nas negociações da Copa América e suborno em contratos da Copa do Brasil, torneio organizado pela CBF.

O início do julgamento de Marin nos Estados Unidos, que seria em outubro de 2017, passou para novembro do próximo ano, após mudança da juíza que cuida do caso – agora, o processo está com Pamela Chen. No Brasil, ele é investigado pela CPI do Futebol, no Senado.

Marin está em prisão domiciliar em um apartamento que possui em Nova York. O imóvel fica na 5.ª Avenida, no arranha-céu Trump Tower, construído pelo magnata candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump.

Para ficar em prisão domiciliar e não ser transferido para uma casa de detenção enquanto aguarda o julgamento, o ex-presidente da CBF aceitou pagar US$ 200 mil (R$ 637 mil) em espécie à Justiça americana. Com esse pagamento, ele não precisou apresentar carta de crédito exigida pelas autoridades dos EUA no valor de US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões).

Marin também tem de arcar com os custos de sua vigilância, que inclui tornozeleira eletrônica, câmeras de segurança instaladas na porta de seu apartamento e em todas as saídas do imponente Trump Tower.

O custo inicial desses serviços era de US$ 20 mil (R$ 63,7 mil) por semana e fazia parte do pagamento de agentes de segurança privada que ficavam dentro de seu apartamento 24 horas por dia. Em março, porém, o cartola brasileiro conseguiu acordo com a Justiça que o livrou da obrigação de ter o agente dentro do imóvel e reduziu os custos da vigilância.

No mês passado, o ex-presidente da CBF também obteve na Corte de Nova York permissão para deixar seu apartamento por até quatro dias da semana, sempre acompanhado de um segurança. Antes, a autorização da Justiça era de saída apenas uma vez por semana.

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