Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Marin completa um ano no comando da CBF e faz poucas mudanças

Substituto de Ricardo Teixeira, que ocupou a presidência da entidade por 23 anos, dirigente busca se aproximar dos grandes clubes e das federações estaduais

Silvio Barsetti, Agência Estado

12 de março de 2013 | 08h15

RIO - Diante de dezenas de dirigentes e altos funcionários da CBF, José Maria Marin leu a carta de renúncia de Ricardo Teixeira à presidência da entidade na tarde de 12 de março de 2012. Anunciava em tom solene a mudança no comando do poder do futebol brasileiro 23 anos após a primeira posse de Teixeira. Exatamente um ano depois, Marin, que acumula a presidência do Comitê Organizador da Copa (COL), lida com vários obstáculos, alguns graves, busca a aproximação com os grandes clubes e as federações estaduais mais arredias e tenta dar sequência ao restante do mandato de Teixeira – até 2015.

Nos últimos meses, a CBF, na verdade, passou a ser dirigida pela dupla Marin e Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e alçado recentemente a vice da CBF, já de olho na próxima eleição. Ele também ocupa posto na Confederação Sul-Americana de Futebol e passou a integrar o Comitê Executivo da Fifa. Ou seja, nenhuma decisão importante na CBF é tomada sem o aval de Del Nero. Foi assim, por exemplo, com a demissão do técnico Mano Menezes, o que resultou em seguida na saída do diretor de seleções Andrés Sanchez, adversário político da dupla.

Marin tem estilo expansivo. Começou assim na presidência. Agradava-lhe a ideia de conceder entrevistas coletivas quase semanais. Tratou de promover pequena reforma no prédio da entidade, na Barra da Tijuca, para receber presidentes de federações e de clubes e, aos poucos, conseguiu conter movimento de alguns descontentes com os desdobramentos que apontavam Del Nero como detentor de mais espaço político na CBF.

Orientado por Teixeira, Marin não se envolve com os negócios milionários entre a CBF e seus patrocinadores, o que rende à entidade R$ 350 milhões por ano. Também mantém no cargo profissionais estratégicos, a pedido de Teixeira, como o secretário geral Julio Cesar Avelleda, homem de confiança do ex-presidente – trata-se de seu principal interlocutor na CBF.

Alvo de acusações de organizações de defesa de direitos humanos de que teria incentivado a prisão do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, quando era deputado estadual em São Paulo, Marin tem contra si uma petição em curso na internet que pede sua saída da CBF. A iniciativa, com quase 40 mil assinaturas, é de autoria de Ivo Herzog, filho do jornalista, que foi assassinado naquele ano. O dirigente nega participação no episódio. 

Notícias relacionadas
Tudo o que sabemos sobre:
CBFFutebolJosé Maria Marin

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.