Marin defende continuidade dos dirigentes esportivos

O presidente da CBF, José Maria Marin, defendeu nesta sexta-feira a continuidade no poder nas confederações e federações esportivas. Ele falou sobre sua posição durante participação no Fórum Nacional do Esporte, em São Paulo. Ao ser perguntado pelo zagueiro corintiano Paulo André sobre se concordava com a limitação de mandatos dos dirigentes, Marin não titubeou. "Na minha opinião, aquilo que é bom deve continuar. Entre fazer uma experiência e ficar com aquele que comprovou que é bom, eu fico com quem é bom", disse.

ALMIR LEITE, Agência Estado

30 de agosto de 2013 | 12h36

A posição do cartola é radicalmente oposta, por exemplo, à do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para quem os mandatos do dirigentes de clubes de futebol e federações esportivas deve ter limitação. Essa é, inclusive, uma das propostas que estão sendo conduzidas nos estudos do Proforte, um projeto do governo que está em discussão e que propõe auxiliar os clubes a pagar suas dívidas fiscais em troca de investimento na formação de atletas.

Marin reiterou que não será candidato à reeleição na CBF, no pleito marcado para abril do próximo ano, mas garantiu que vai "participar ativamente" do processo. "Vou lutar pelo candidato da situação, porque entendo que estamos realizando uma boa administração esportiva e financeiramente. A única coisa que desejo é que meu sucessor dê continuidade a esse trabalho", disse o dirigente, que assumiu a presidência no começo ano passado, após a renúncia de Ricardo Teixeira.

Paulo André questionou Marin como um dos integrantes no painel "O desafio da organização da Copa do Mundo e seu legado", que teve a participação também do ex-jogador de futebol Raí e da Rainha do Basquete Hortência, entre outros. O zagueiro do Corinthians lembrou os recentes vexames de Santos e São Paulo em jogos na Europa para dizer que o futebol brasileiro vive uma "crise existencial", com uma seleção forte e clubes fracos tecnicamente. Em seguida, quis saber quais os planos da CBF para desenvolver no futebol interno a parte de nova concepção de gestão.

Marin rebateu o zagueiro, dizendo que não se pode comparar o futebol brasileiro com o europeu por causa da extensão territorial do País. Também explicou que não é possível ajustar o calendário daqui com o de lá, mas ressaltou que a entidade está trabalhando para o desenvolvimento interno. "Temos hoje a Série D, com 40 clubes, subsidiada pela CBF, que paga passagens aéreas, alimentação, hospedagem e dá bolas para os times jogarem", exemplificou.

Raí quis saber o que pode ser feito para melhorar a situação dos jovens que tentam seguir a carreira de jogador de futebol. "98% dos garotos não se tornam jogadores. E na maioria dos clubes, jovens com 13, 14 anos não têm condições mínimas de desenvolvimento", disse o ex-jogador do São Paulo. O presidente da CBF, então, rebateu dizendo que depende dos clubes zelar por suas bases. E recorreu ao passado para afirmar que não é preciso ser clube grande para formar jogador. "No passado, o XV de Jaú, por exemplo, tinha um belo trabalho. Tanto que formou até um jogador (Kazuo) para a seleção japonesa", lembrou Marin.

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