Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Marin diz 'não' para extradição e conta com ajuda do governo suíço

Advogados dizem que EUA não têm provas suficientes sobre crime

JAMIL CHADE, Corresponde em Zurique, Estadão Conteúdo

14 de julho de 2015 | 14h56

O ex-presidente da CBF José Maria Marin se recusa a ser extraditado voluntariamente aos Estados Unidos e contrata para uma longa batalha jurídica um ex-chefe do Departamento de Justiça da Suíça. Nesta terça-feira, as autoridades suíças realizaram a primeira audiência com o cartola, preso desde o dia 27 de maio em Zurique, a pedido dos EUA. Ele é acusado de corrupção e fraude.

Segundo seus advogados, Marin não aceitou a extradição, o que obriga a Justiça suíça a abrir um procedimento e dar uma primeira resposta até 13 de agosto. Em sua defesa, os advogados de Marin insistiram que a documentação americana não trazia provas suficientes de um crime que, mesmo que houvesse, eles não seriam reconhecidos pelas leis suíças.

Conforme a reportagem revelou na semana passada, as autoridades não o questionaram se ele era ou não inocente. O que se julga é apenas o pedido de extradição dos EUA, algo que os suíços já indicaram que "tem base".

O "não" de Marin deu início a um longo processo. Se os suíços autorizarem a extradição, ele ainda tem outras duas instâncias para recorrer, o que promete atrasar o processo até pelo menos o final do ano.

Até la, um dos advogados contratados para lutar contra a Justiça suíça é justamente um ex-funcionário de alto escalão do governo suíço. Ao lado de Georg Friedli, o principal advogado no caso, Marin será defendido por Rudolf Wyss, o ex-vice-diretor do Departamento de Justiça da Suíça.

Há poucos anos, ele ficou conhecido por ter sugerido aos banqueiros suíços que, se não quisessem ser presos nos EUA, que não viajassem mais para visitar clientes americanos. A administração de Barack Obama fez uma ofensiva contra as contas secretas. Ele ainda trabalhou na Polícia Federal suíça, responsável por todos os temas de cooperação internacional entre 1996 e 2011.

Entre os casos mais emblemáticos de sua carreira na Justiça suíça estão os confiscos de fortunas relacionadas a ditadores asiáticos e africanos, como o nigeriano Sani Abacha.

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