Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Marin e Del Nero sufocam de vez a oposição na CBF

Hipótese de lançamento de chapa alternativa para disputar a eleição de 16 de abril foi sepultada no evento em Teresópolis

Silvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2014 | 05h00

TERESÓPOLIS- O evento da última quarta-feira na Granja Comary sepultou de vez a possibilidade de uma chapa de oposição concorrer à eleição de 16 de abril, para a sucessão de José Maria Marin na presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Os dirigentes de federações que despontavam como líderes de um movimento de contestação a Marin e seu vice Marco Polo Del Nero deixaram claro que houve uma ruptura no grupo, irreversível a curto prazo.

O presidente da Federação Gaúcha, Francisco Novelletto, e o da Carioca, Rubens Lopes, se evitaram e praticamente quase não se falaram. Nos últimos dois anos, eles se reuniram com frequência para viabilizar uma candidatura própria que pudesse fazer frente a Del Nero, o nome da situação para substituir Marin. Para Hélio Cury, do Paraná, que integrava o grupo, a eleição está definida. “Agora é fato consumado.”

Novelletto desconversou quando indagado sobre o assunto. Ele, no entanto, já admitiu que deve votar em Del Nero. Ontem, surpreendentemente, Lopes também disse que o candidato de Marin poderá ser eleito “até mesmo por unanimidade”. Ele foi enfático ao dizer que não vai concorrer em 16 de abril.

Lopes estava visivelmente deslocado na Granja Comary. Na hora em que todos os dirigentes caminharam para uma área aberta, a fim de ouvir o Hino Nacional, em cerimônia de hasteamento de bandeiras, ele preferiu ficar num outro ambiente, ao lado de seus assessores. Um emissário de Marin foi chamá-lo e ele cedeu. Mas com uma ressalva. “Hasteamento de bandeira com Hino Nacional é coisa de milico.”

Logo depois, outros presidentes de federações justificavam o apoio à dupla Marin/ Del Nero. “Os projetos que levei à CBF foram aprovados. Não há como eu ser contra”, disse Evandro de Carvalho, de Pernambuco. José Vanildo, do Rio Grande do Norte, ressaltou que a oposição ruiu “porque tinha cinco nomes, os cinco queriam se candidatar e nenhum cedeu”.

Com a eleição dada como definida por quase todos, o presidente da federação de Roraima, José Gama Xaud, há mais de 30 anos no poder, prometeu comemorar a virtual vitória de Del Nero com uma peixada em sua terra. “Vou fazer uma moqueca misturando tucunaré, piraíba, surubim, tudo o que tenho direito; só não vai ter traíra. Dá um pulo lá, mando pegar vocês no aeroporto.”

No clima festivo de mais um mandato da CBF em sintonia com a maioria das entidades estaduais, o presidente da federação do Ceará, Mauro Carmélio, fez uma revelação com naturalidade. “A ausência de oposição vai entristecer entre oito e dez presidentes de federações. Esse é o número dos que gostariam de barganhar o voto, de ter o toma lá, dá cá, que iam querer dinheiro para o voto. Mas como não vai ter oposição, esse pessoal vai ficar na pior.”

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