Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Marin enfrenta racha de federações em assembleia da CBF

Grupo de presidentes das entidades está insatisfeito com o dirigente e promete recusar 'agrados'

Silvio Barsetti e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2013 | 08h00

RIO - A assembleia geral que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai promover nesta terça-feira, na sede da entidade, promete ser bem favorável para várias das 27 federações estaduais convocadas. A pauta que consta do edital pode ser resumida à aprovação das contas do exercício de 2012. Mas, ouvidos pelo Estado, pelo menos três dirigentes de federações que vão participar do encontro disseram que a CBF deve oferecer um aporte para as entidades estaduais que pode variar entre R$ 50 mil e R$ 400 mil.

Oficialmente, esses valores seriam destinados à estruturação de algumas entidades que têm arrecadado quantia irrisória com a bilheteria dos campeonatos estaduais. Para presidentes de federações que não se alinham com a cúpula da CBF, o objetivo seria outro: o de agradar os eleitores e aproximá-los cada vez mais dos atuais comandantes do futebol brasileiro. Ano que vem, a CBF vai escolher um novo presidente antes da Copa do Mundo. Terão direito a voto as 27 federações e os 20 clubes da Série A.

"Uma coisa eu posso assegurar: a Federação Gaúcha não vai aceitar nada", disse seu presidente, Francisco Novelletto. No processo de saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF, ano passado, o dirigente gaúcho foi um dos integrantes do grupo chamado de "rebelde", que previa - e se articulava contra - o domínio paulista sobre a entidade na figura do mentor de José Maria Marin - e, para muitos, o verdadeiro chefe da CBF: Marco Polo Del Nero, da Federação Paulista.

Um dirigente de outra federação fez coro à declaração de Novelletto e comentou que, pelas suas contas, em torno de dez presidentes não estariam dispostos a receber agrados da CBF antes, durante ou após a assembleia.

Ao contrário das últimas assembleias ordinárias da CBF, desta vez não está incluída no edital a opção "outros assuntos", o que pode impedir discussões formais na sessão sobre a crise política que atinge principalmente o presidente Marin.

Outro presidente de federação ouvido pelo Estado, que pediu para não ser identificado, revelou que o clima está "tenso" entre os dirigentes.

Os cartolas estão chateados com Marin pela "ausência de respostas", principalmente em relação a vídeos com supostas gravações de áudio do presidente e às suspeitas de envolvimento com a ditadura militar.

O vídeo em que uma voz parecida com a de Marin afirma que "tem até de dar de comer para os caras (presidentes) não te agredirem" foi, naturalmente, o que mais os revoltou. "Ele (Marin) me disse que aquilo é um vídeo criminoso, mentiroso. Mas por que não vem a público revelar isso?", indagou o dirigente.

Nesta terça-feira, depois da assembleia, um grupo de presidentes insatisfeitos com a gestão de Marin vai se reunir para começar a traçar os planos para a próxima eleição da CBF, em abril de 2014. "Já temos conversado com alguns pares. O problema é que falar com alguns é como pregar no deserto", disse a fonte.

Tudo o que sabemos sobre:
CBFJosé Maria MarinfutebolCopa 2014

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.