Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Marin espera fazer sucessor e sair do comando da CBF em 2015

Presidente deixa a entidade ao final do mandato e tem contas aprovadas com um lucro de R$ 55 milhões

Sílvio Barsetti e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2013 | 08h16

RIO - Representantes de 27 federações estaduais aprovaram ontem por unanimidade o balanço de 2012 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cujo lucro no período foi de R$ 55 milhões. A assembleia transcorreu em clima de tranquilidade - estratégia definida pelos dirigentes mais contestadores. Tensa foi a véspera do encontro. Anteontem, durante a tarde e o período da noite, quando vários presidentes de federações jantaram no Restaurante Duo, na Barra da Tijuca, a discussão mais importante dizia respeito à quantia que a maioria das entidades estaduais exige para manter o apoio ao presidente José Maria Marin.

Esse grupo majoritário também condicionou uma divisão mais ampla das receitas da CBF para aceitar o candidato indicado por Marin na próxima eleição da entidade, em abril de 2014 - tudo indica que o escolhido seja Marco Polo Del Nero, vice-presidente da confederação e mandatário da federação paulista.

Na sessão, no auditório da sede da CBF, José Maria Marin teria "convencido" os dirigentes de que não houve superfaturamento nos preços pagos pelo prédio que vai abrigar a nova sede da entidade - acusação que circulou na edição de ontem da Folha de S. Paulo. De acordo com a reportagem, Marin comprou o imóvel por R$ 70 milhões, investindo R$ 43 milhões por cinco salas logo após elas terem sido negociadas por R$ 12 milhões por intermediários. Presidentes de federações disseram que se sentiram satisfeitos com as explicações de Marin. A CBF, porém, não apresentou nenhum documento à imprensa para comprovar a lisura do negócio.

O presidente garantiu que fica no cargo até o fim do seu mandato, em abril de 2015, mesmo com seu nome envolvido em polêmicas públicas e acusações, não comprovadas, de enriquecimento ilícito no comando do futebol brasileiro. A CBF vai passar por eleição para definir o sucessor de Marin exatamente um ano antes graças a uma mudança estatutária do início de 2012. Ele garantiu ontem a seu pares que não vai se candidatar.

A primeira reivindicação de parte dos 27 votantes é que a mesada da CBF para as federações, hoje de R$ 50 mil, seja, no mínimo, dobrada. Algumas federações, no entanto, não vão se contentar em receber R$ 100 mil por mês. "Tem as que querem R$ 150 mil, R$ 200 mil e até um pouco mais. Isso vai render", disse ao Estado o presidente de uma das federações que se nega a receber "agrados" da CBF.

Outro dirigente, de uma federação sem representantes nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, revelou ao Estado que o valor de um voto para a sucessão de Marin será alto. "Seria em torno de R$ 100 mil?", questionou o repórter. "Isso é para clubes, coisa miúda. Com as federações a conversa é mais séria", disse, depois de indagado sobre denúncia recente do deputado federal Romário (PSB-RJ) de que a eleição de 2014 da CBF já estaria comprada. Esse dirigente pediu em seguida que suas declarações não fossem publicadas.

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