AP/Mary Altaffer
AP/Mary Altaffer

Marin indica que não fará delação premiada nos Estados Unidos

Julgamento do ex-presidente da CBF deve levar um ano e meio

JAMIL CHADE - CORRESPONDENTE EM GENEBRA, THIAGO MATTOS - ESPECIAL PARA O ESTADO - NOVA YORK , O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2015 | 17h22

José Maria Marin, ex-presidente da CBF e em prisão domiciliar nos EUA, já deu sinais claros desde que chegou a Nova Iorque de que não fechará um acordo de delação premiada e que irá concentrar sua defesa apenas em sua situação. Pessoas próximas ao processo ainda indicaram que sua fiança de R$ 56,7 milhões virá de forma integral do patrimônio do ex-cartola, de 83 anos.

Depois de cinco meses numa prisão de Zurique, Marin dormiu na noite de terça-feira para quarta pela primeira vez em uma cama, num apartamento avaliado em US$ 3,5 milhões. Ao chegar a Nova Iorque, ele foi levado a uma corte e fechou um acordo para acompanhar o processo em liberdade condicional. Mas o juiz estabeleceu o valor da garantia em US$ 15 milhões, acima do que estava previsto e também mais elevada que a de Jeff Webb, o ex-vice-presidente da Fifa, que pagou US$ 10 milhões. 

No caso de Marin, a família foi obrigada a depositar em uma conta da Justiça americana um total de US$ 1 milhão e seu apartamento foi confiscado. Além disso, uma garantia de mais de US$ 11 milhões foi estabelecida, o que foi acertado por meio de uma carta-seguro de um banco. O dinheiro viria do patrimônio do cartola, acumulado em anos no comando da CBF, como deputado e governador.

Um dos principais interesses do FBI é de que Marin colabore com a investigação, inclusive dando detalhes sobre como ocorreu a negociação sobre propinas e quem mais esteve envolvido. Segundo a Justiça da Suíça, Marin "compartilhou" subornos com outros dirigentes e, no inquérito dos americanos, o nome de Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira estão entre os suspeitos.

Marin, porém, optou por enquanto por não fazer uma delação. O FBI não desistiu e ainda espera que o brasileiro mude de posição durante o julgamento.

Segundo advogados de defesa, o julgamento deve levar um ano e meio. Neste período, Marin ficará com uma tornozeleira. Todas as saídas terão de ser notificadas para a corte, inclusive as que são autorizadas, como ira o advogado, médicos ou até a Igreja. Ele também terá a autorização a comprar comida, se pedir. 

Marin poderá manter contato com seus familiares. Mas jamais com o mundo do futebol. Contatos com Del Nero, Teixeira, pessoas da Fifa ou qualquer outro empresário estarão proibidos.

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