Amr Alfiky/Reuters
Amr Alfiky/Reuters

Condenado por seis crimes, Marin pede novo julgamento

Preso em uma penitenciária nos Estados Unidos, ex-presidente da CBF vai pedir anulação do julgamento caso seu pedido de revisão não seja aceito

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 05h41

ZURIQUE –  José Maria Marin, o ex-presidente da CBF, pede que seu julgamento nos EUA seja anulado e que um novo processo seja instaurado. Em dezembro, ele havia sido condenado por seis crimes por uma corte de Nova York e, desde então, aguarda sua sentença em uma prisão americana. Agora, ele insiste à Justiça americana que deve ser inocentado ou que, pelo menos, um novo processo seja realizado.  

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O argumento do brasileiro é de que os promotores que apresentaram o caso não mostraram provas concretas de que Marin teria de fato recebido dinheiro em troca de oferecer contratos a empresas de televisão e marketing. O Ministério Público americano o acusa de ter recebido US$ 6,5 milhões em propinas, em troca de contratos para eventos como a Copa América, Libertadores e Copa do Brasil

Para convencer o júri, os promotores levaram à corte diferentes testemunhas. Todas indicaram como teriam recebido do brasileiro pedidos específicos por propinas. Os mesmos empresários ainda apontaram como o então vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também fazia parte do esquema, chegando a solicitar até mesmo um aumento no valor cobrado da propina. Foram essas informações que levaram a Fifa a o afastar do futebol de forma temporária, enquanto o caso é investigado.  

Mas, para os advogados de Marin, não existe prova de que um pagamento tenha sido retribuído com os contratos. Portanto, a relação criminosa não seria estabelecida. 

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Outro argumento usado por Marin se refere ao uso de provas. De acordo com seus advogados, documentos do empresário Kleber Leite, apontando como um dos supostos responsáveis pelas propinas, foram usados de forma ilegal. Nos dias seguintes à prisões na Fifa, em maio de 2015, a Polícia Federal realizou uma operação nos escritório de Leite, no Rio de Janeiro. Poucos meses depois, uma juíza carioca decidiu que o Brasil não poderia cooperar com a Justiça americana, numa sentença que passou a ser questionada pela Procuradoria-Geral da República. 

Com 85 anos, o brasileiro aguarda o dia 4 de abril para saber sua sentença definitiva. Enquanto isso, está numa prisão do Brooklyn. Marin não foi o único a pedir uma anulação de seu julgamento. Os advogados de Juan Napout, ex-presidente da Conmebol, também apresentaram o mesmo pedido, depois que seu cliente fora também condenado no mesmo processo que envolvia o brasileiro. 

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No caso de Napout, seu argumento principal é de que a principal testemunha do caso – o empresário argentino Alejandro Burzaco, mentiu. Durante as audiências entre novembro e dezembro, o executivo indicou que esteve em outubro de 2014 no Paraguai, justamente para negociar a suposta propina com Napout e Del Nero. 

Para tentar provar isso, os advogados apresentaram documentos do voo e da imigração citado pelo executivo. Mas, na ficha das autoridades aeroportuárias, Burzaco não apareceria como um dos viajantes num avião que, de fato, levava vários cartolas argentinos para Assunção. Ele aparece apenas em uma declaração da imigração paraguaia, apontando sua entrada no país uma só vez em 2014. Mas apenas no mês de dezembro.

A juíza do caso, Pamela Chen, já havia alertado em dezembro que não iria considerar as teses de um novo julgamento com base nos argumentos de Napout. Mas se ficar provado que Burzaco mentiu, seu testemunho seria anulado e o processo poderia ganhar novos contornos. O executivo, porém, perderia todos os benefícios que negociou em uma delação premiada com a Justiça americana. 

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