Marin quer novo método na seleção, diz Andrés

Visivelmente irritado, o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanches, tentou explicar, na tarde desta sexta-feira, a demissão do técnico Mano Menezes. O dirigente disse, repetidas vezes, que foi voto vencido em reunião realizada na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), e que, por ele, o treinador seguiria no cargo.

AE, Agência Estado

23 de novembro de 2012 | 17h49

"Eu achava que não era o momento, mas respeito hierarquia, entendo os motivos, entendo os critérios", disse, diversas vezes, Andrés. "Os critérios são do presidente (da CBF). A partir da próxima temporada, ele quer novos métodos, outro tipo de planejamento. Tenho que respeitar", explicou o ex-presidente do Corinthians, sempre que perguntado sobre os motivos da demissão de Mano.

Andrés, porém, não apontou quais seriam esses métodos, nem o que precisaria ser mudado. Indicando que deveria ser Marin a conceder a entrevista, o dirigente revelou que não foram os resultados que causaram a demissão de Mano. "Se fosse pelo resultado, tinha sido no começo do ano, quando tinha resultados piores", argumentou.

O diretor de seleções da seleção também evitou especular nomes para substituir Mano Menezes. Afirmou que o anúncio virá na primeira quinzena de janeiro e que o treinador sairá de um grupo de "sete ou oito nomes" que a imprensa irá especular. "Um desses sete é", garantiu Andrés, que também se colocou contra a contratação de um técnico estrangeiro.

Ele mostrava no semblante que estava contrariado com a decisão e descontou nos repórteres que participavam da ágil coletiva realizada na sede da FPF. Quando perguntado se mais alguém se colocou contra a demissão de Mano, disse que o jornalista não sabia quantas pessoas estavam na reunião. Depois, confirmou que eram apenas três.

Mas Andrés se recusou a dizer os nomes dos participantes. Quando questionado, disse que o repórter sabia quem estava no encontro. Além do presidente da CBF, José Maria Marin, também teria participado da reunião o presidente da FPF e padrinho político de Marin, Marco Polo Del Nero. "Foi conversado hoje (quarta) e decidido hoje. Mais resposta que essa não precisa", disse ele, mostrando ter sido pego de surpresa.

Mesmo parecendo contrariado, Andrés disse que não irá colocar o seu cargo à disposição. Acredita que cabe ao presidente tomar decisões e a ele acatar. O dirigente até elogiou Marin: "Ele está sendo corajoso, ousado, está vendo o futebol para frente, tenho que respeitar."

Além de Mano Menezes, toda a comissão técnica foi demitida, mas Andrés não quis dar nomes e não revelou a abrangência da decisão na estrutura da CBF. Foi o diretor de seleções quem ligou para Mano dar a notícia da demissão, mas a coletiva convocada por ele às pressas impossibilitou que todos os dispensados fossem comunicados.

Na análise de Andrés, Mano Menezes fez um "bom trabalho" à frente da seleção. O treinador foi defendido até do resultado ruim na Olimpíada, quando todos esperavam o ouro e veio a prata. "Quantas Olimpíadas o Brasil disputou? E só ganhou duas de prata", argumentou.

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