Darren Ornitz/Reuters
Darren Ornitz/Reuters

Marin retorna ao Brasil após quase cinco anos preso e com patrimônio reduzido

Ex-presidente da CBF ganhou liberdade nos EUA por causa da pandemia do coronavírus 

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2020 | 08h22

Após conseguir na Justiça dos Estados Unidos o direito à liberdade antes do cumprimento total da pena de quatro anos a que fora condenado, o ex-presidente da CBF José Maria Marin aguarda os últimos trâmites burocráticos para deixar a prisão e pegar o primeiro voo disponível rumo ao Brasil, o que deve ocorrer nos próximos dias. Aos 87 anos e com a saúde debilitada, o ex-dirigente está detido em uma penitenciária federal de segurança baixa em Allenwood, no interior do Estado da Pensilvânia, e na segunda-feira viu a juíza Pamela K. Chen acatar pedido de soltura feito pelos seus advogados em meio à pandemia do coronavírus.

De volta ao Brasil, o Estado apurou que Marin vai morar com a mulher, Neusa, em um apartamento no bairro de Cerqueira César, zona de sul de São Paulo. O imóvel tem cerca de 140 m² .

Antes, os dois moraram por mais de duas décadas em um apartamento, nos Jardins, de 609 m² e cinco vagas de garagem. O imóvel foi vendido em julho de 2018 por R$ 7,6 milhões. O dinheiro foi usado para pagar despesas com advogados, dívidas processuais e multas nos Estados Unidos. O ex-dirigente chegou a vendeu seu patrimônio por R$ 37 milhões para pagar multas.

Entre os motivos listados pela juíza Pamela K. Chen para aceitar que Marin saísse da cadeia agora estão a sua "idade avançada, saúde significativamente deteriorada, risco de graves consequências para a saúde devido ao atual surto de covid-19, status de crime não violento e cumprimento de 80% de sua sentença original”. 

Ao todo, mais de 160 mil pessoas foram diagnosticadas com a covid-19 nos Estados Unidos. Cadeias estão relatando uma propagação acelerada da doença e, por isso, detentos foram libertados antes do término de suas penas. Em Allenwood estão 1.300 presos.

Marin deixará a prisão dois anos e quatro meses depois de ter sido condenado pelos crimes de organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro cometidos no período em que presidiu a CBF. Antes, em 2015, ele já havia ficado detido na Suíça e em prisão domiciliar em Nova York acusado de ter recebido U$ 6,5 milhões (mais de R$ 32 milhões pelo câmbio atual) de propina para assinar contratos de direitos comerciais da Libertadores, Copa do Brasil e Copa América.

A Justiça dos EUA condenou Marin a pagar US$ 1,2 milhão (R$ 6 milhões) e confiscou mais US$ 3,3 milhões (R$ 16 milhões) do brasileiro. Já a Fifa baniu Marin do futebol e ainda aplicou multa de 1 milhão de francos suíços (R$ 5,4 milhões).

Preso em 2015 na Suíça, Marin vendeu além do apartamento onde morava com a mulher um prédio comercial na Rua Colômbia, no Jardim América, por R$ 18,1 milhões, e um casarão localizado no Jardim Europa por R$ 11,5 milhões. A mansão estava em terreno de 2.600m², possuía dois andares, 12 salas, dez banheiros e estacionamento para 30 carros.

Durante os quase quase cinco anos em que esteve fora do Brasil depois de ter sido preso na Suíça, Marin se desfez no período de um patrimônio imobiliário avaliado em R$ 37 milhões. Os imóveis foram adquiridos em mais de três décadas, quando Marin foi governador do Estado de São Paulo, além de presidente da Federação Paulista de Futebol e da CBF.

 

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