Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Marin tem presença decorativa em eventos da Copa das Confederações

Palácio do Planalto e Fifa colocaram presidente da CBF na 'geladeira'

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2013 | 07h07

RIO - No início da Copa das Confederações, o Palácio do Planalto e a Fifa colocam a CBF na geladeira e excluem das reuniões oficiais o próprio presidente do Comitê Organizador Local, José Maria Marin. Fontes da Fifa e do governo insistem que o evento apenas pôde ser organizado depois que uma relação direta foi estabelecida entre governo e Zurique, marginalizando a CBF e a herança deixada por Ricardo Teixeira.

Nesta sexta-feira, numa base militar no Rio, a presidente Dilma Rousseff se reuniu por uma hora com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, além do secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e o governador do Rio, Sérgio Cabral. Na agenda, os últimos detalhes para o que será o ensaio geral para a Copa do Mundo de 2014. E, nem assim, Marin foi convidado.

O cartola, segundo pessoas próximas a ele, não estava no Rio. Mas o Estado apurou que o encontro entre Dilma e Blatter já vinha sendo costurado há dias e não foi realizado de forma improvisada. Dilma, fugindo de uma prática que tem adotado, optou desta vez por uma longa conversa com Blatter.

A reunião de ontem foi interpretada como clara demonstração de que o megaevento está sendo organizado em uma parceria direta entre a Fifa e o governo, algo que já vinha ocorrendo nos últimos meses e que acabou, na avaliação de muitos dentro da própria Fifa, por salvá-lo.

O governo estima que a CBF errou ao tentar manter autoridades de fora do planejamento da Copa e que isso teria atrasado a preparação. Marin ocupa tanto a presidência da CBF quanto a do Comitê Organizador da Copa, teoricamente a entidade que deveria conduzir as obras. Em outras edições da Copa, em 2010 e 2006, a presença do organizador local era obrigatória nas reuniões, principalmente envolvendo chefes de estado.

No caso do Brasil, sua posição se transformou nos últimos meses em mera figuração. O governo chegou a fazer um trabalho de bastidores para provocar a queda do cartola da CBF. Mas, diante do risco de se abrir um período de incertezas, a opção foi a de esvaziá-lo totalmente de poder de decisão.

Marin não tem portas abertas nem no Palácio do Planalto, que nunca o recebeu, nem na Fifa, que quer o cartola longe das atividades oficiais. As polêmicas em relação à ditadura militar e seu envolvimento com Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, seriam os principais motivos da geladeira.

Blatter já confessou ao Estado há dez dias que prefere não falar sobre a situação de Marin. Oficialmente, a ordem na Fifa é insistir que não existe problema algum entre o cartola e a entidade. Mas, nos bastidores, a recomendação é manter distância e apenas aparecer na foto quando não houver alternativa.

No governo, a ordem é negar que haja problema com Marin. Mas, nas operações da presidência e do Ministério dos Esportes, Marin já deixou de ser considerado nas reuniões e nas sugestões recebidas.

Distanciado, o presidente da CBF tem procurado elaborar sua própria agenda. Mas sem qualquer tipo de repercussão. Tanto Valcke quanto Blatter insistiram em declarações ao Estado que a reunião com Dilma havia sido “ótima”, mas não deram detalhes do encontro.

“Foi uma reunião entre os dois presidentes (do Brasil e da Fifa)”, disse Blatter. “Ela é ótima e estamos felizes pela boa relação que temos com o governo”, afirmou o cartola. Já Valcke postou fotos dele dando a mão para Dilma, num esforço para mostrar que os problemas são parte do passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.