Tasso Marcelo/AE - 12/03/2012
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Marin vai rever todos os contratos da CBF

Presidente diz que se a entidade receber novas ofertas poderá rever acordos amarrados por Ricardo Teixeira

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 15h41

ZURIQUE - Depois de seis meses no poder e numa reviravolta, o presidente da CBF, José Maria Marin, anuncia que vai re-examinar todos os contratos da era Teixeira com patrocinadores, parceiros comerciais e com detentores de direitos. Marin ainda aponta que está disposto a considerar novos parceiros, caso tragam propostas novas também. O Estado revelou com exclusividade que a empresa que hoje organiza os jogos da seleção, a Pitch, jamais organizou uma partida de futebol em sua vida.

Três meses antes de deixar a CBF, Ricardo Teixeira assinou contrato com uma empresa saudita, ISE, ampliando os direitos sobre a seleção até 2022. A empresa acabaria terceirizando a organização dos amistosos para a Pitch, com sede em Londres.

Mas, além de jamais ter organizado um jogo, a empresa pagará à CBF 15% a menos que o contrato anterior, de 2006. Para completar, a ISE passou a ser investigada por pagamento de subornos a um cartola próximo a Teixeira, o árabe Mohamed Bin Hammam.

Marin foi colocado no cargo por Ricardo Teixeira e dá a entender que está de mãos atadas em alguns casos. "Temos de cumprir um contrato", declarou. Segundo ele, o problema é que não há apenas uma multa a ser paga, mas indicou que haveria uma cláusula de perdas e danos por conta de uma eventual quebra do acordo.

Mas o cartola que herdou a CBF se diz pronto para receber "qualquer empresa que quiser fazer novas propostas". "A CBF está de portas abertas." Ele emendou que a empresa terá de aceitar trabalhar com a ISE e a Pitch. "Se aparecer alguém para negociar com isso, e oferecer valores melhores, maiores receitas, estamos abertos a negociar desde que haja concordância entre as partes."

Phillip Huber, dono da Kentaro, é um dos que estão dispostos a fazer uma nova oferta pela seleção. "Eu ofereço US$ 2 milhões (R$ 4,1 milhões) hoje por jogos do Brasil", disse ao Estado o responsável pelos amistosos desde 2006 e que teve seu contrato encerrado em meados deste ano. Hoje, a CBF ganha US$ 1,05 milhão (R$ 2,1 milhões).

Outros contratos da era Teixeira também serão revistos. "Não vamos revisar todos, claro. Pode dizer que vamos examinar todos para ver onde há possibilidade de aumentar a receita", disse o presidente. Um exemplo seria o contrato da Copa do Brasil. A Globo foi obrigada a pagar o dobro para transmitir os jogos, depois de uma renegociação. Marco Polo Del Nero, vice-presidente da CBF, evitou falar em valores.

PREJUÍZO

Del Nero ainda contestou a informação de que a seleção teria congelado sua receita com amistosos até 2022. Segundo ele, os jogos em Recife contra a China e em São Paulo contra a África do Sul deixaram um rombo nas contas da ISE. Um dos fatores foi o preço baixo das entradas.

A CBF, ainda assim, continuou ganhando o que, segundo Del Nero, seria uma prova de que os acordos podem ser favoráveis. 

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