Marinho Peres vê líbero como salvação

A seleção brasileira pode e deve usar um esquema com líbero para disputar as eliminatórias e depois a Copa do Mundo de 2002. Esta é a opinião de Marinho Peres, ex-jogador da década de 70, e que melhor desempenhou a função no futebol brasileiro. Ele acha também que o Brasil precisa mudar o esquema tático e adotar o sistema de marcação sob pressão. "Acho que estes pontos são básicos atualmente dentro do futebol mundial, e não vemos nada disso nos clubes e muito menos na seleção brasileira", comenta Marinho, de férias no Brasil até dia 25 de junho, quando retorna para Portugal, onde dirige o Belenenses.Estas lições ele aprendeu, inicialmente, em campo ao defender o Barcelona da Espanha no período de 1974 a 1976. O time espanhol era dirigido por Rhinus Michels, o grande responsável pelo futebol dinâmico e competitivo mostrado pela seleção holandesa na Copa da Alemanha, em 1974, equipe que ganhou a fama de ?carrossel holandês?, duas vezes vice-campeã em dois mundiais, o da Alemanha e depois da Argentina (1978).Quando voltou para o Brasil, em 1976, ele atuou como líbero pelo Internacional-RS, conquistando o bicampeonato brasileiro sob o comando do técnico Rubens Minelli, a quem resume da seguinte forma: "Um obstinado pelo sistema de marcação forte".Mas na atual seleção brasileira quem poderia desempenhar a função de último zagueiro? "O próprio Antonio Carlos, da Roma, que tem a seu favor a experiência no futebol italiano, também de forte marcação", lembra o técnico. Ele reconhece que, talvez, o esquema sob pressão com a figura do líbero não possa ser usado nos próximos jogos das eliminatórias, mas acha fundamental o time treinar para o Mundial pensando fixamente nesta mudança."Taticamente nosso futebol está ficando para trás de outros países, como a França, a Holanda e a Itália", completa. Este atraso seria, segundo ele, o grande motivo pelo qual os clubes europeus não contratam os técnicos brasileiros. "Se temos lá os principais craques, porque não podemos ter também nossos técnicos?", indaga, e revela em seguida. "Temos fama de sermos indisciplinados taticamente".Além de trabalhar com o "tático" Michels e com o obstinado Minelli, Marinho Peres acompanhou Telê Santana, no futebol árabe, de 1982 até 1986. Ele credita a Telê seu aprendizado nos treinos com bola parada e na troca de passes. Na prática, ele teve pouca s chances no Brasil com passagens rápidas e discretas por Santos, Guarani e Botafogo-RJ. Em Portugal teve mais sorte dirigindo clubes de porte médio, como Vitória de Guimarães, Sporting, Marítimo e Belenenses, pelo qual na temporada passada terminou em sétimo lugar. Marinho volta para Portugal na próxima semana na esperança da seleção brasileira encontrar o caminho certo nas mãos de Luiz Felipe Scolari.

Agencia Estado,

20 de junho de 2001 | 15h36

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