Marinho quer transparência em comissão

O coronel da reserva Marcos Marinho, ex-comandante do II Batalhão de Choque da Polícia Militar por 17 anos, é o novo presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista, no lugar de Francisco Papaiordanou, que se afastou a semana passada. Foi a saída encontrada pela entidade para reerguer a comissão, que estava com a credibilidade arranhada após o escândalo do apito, envolvendo Edílson Pereira de Carvalho e Paulo Danelon. O coronel Marinho, que foi para a reserva, assumiu segunda-feira e já está trabalhando na sede da entidade, na Barra Funda. Agência Estado ? Um coronel na Comissão de Árbitros: como surgiu a idéia? Marcos Marinho ? Eu conhecia o presidente Marco Polo del Nero da Federação, nas reuniões da época do Batalhão de Choque. Ele me convidou e aceitei o desafio. Agora, estou me inteirando da estrutura, dos problemas e estudando as regras do futebol, que não conheço direito ? mas tenho três assessores (ex-árbitros) que vão me ajudar.AE - O senhor assume num momento difícil da arbitragem... Marinho - Vivemos uma crise, após a confissão de dois árbitros que fizeram coisas ilícitas. Quero dar uma cara nova à comissão. Vamos fazer um trabalho de gerenciamento, sistematizar procedimentos, dar mais transparência.AE - O ranking dos juízes é uma forma de transparência? MarinhoSem dúvida. Estamos elaborando os critérios e a forma de pontuação. Quando tudo estiver definido, divulgaremos ao público. O ranking vai ajudar na escala.AE - Os mais bem ranqueados apitarão os clássicos? Marinho - Essa é a idéia, mas vamos acompanhar o desempenho dos juízes de todas as divisões. Será um ranking dinâmico, que dará oportunidades a todos: dos juízes-Fifa até os novos valores.AE - Os juízes reclamam da falta de transparência na hora da geladeira (suspensão). Como evitar isso? Marinho - Não gosto do termo ?geladeira?. Se precisarmos preservar um árbitro, vamos chamá-lo e explicar onde falhou e dar chances para ele se defender. AE - O senhor vai aproveitar a experiência de policial na Comissão? Marinho - Minha função é de gerenciamento, o que já fazia na PM. Quero dar um tratamento mais impessoal à Comissão, para evitar qualquer favorecimento político. Não tenho motivo para favorecer ninguém. Não conheço nenhum juiz. Tenho carta branca da presidência para agir e uma equipe disposta a ajudar, mas a última palavra será minha. Disso não abro mão.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2005 | 19h42

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