Fábio Motta/Estadão
Marlone vive expectativa de ganhar prêmio da Fifa Fábio Motta/Estadão

Marlone, da adoção à chance de ganhar o prêmio Puskás, da Fifa

Meia do Corinthians supera trajetória difícil para sonhar com a escolha do gol mais bonito de 2016

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2017 | 17h00

Existem duas formas para se conhecer a história de Marlone, meia que concorre nesta segunda-feira ao prêmio Puskás da Fifa de gol mais bonito do ano. No caminho mais curto, ele confessa que é filho adotivo e por essa razão incentiva campanhas relacionadas ao tema. No futuro, ele até planeja adotar uma criança – ele já é pai da Antonella, de pouco mais de um ano. "Eu poderia estar até hoje esperando para ser adotado. Se tiver oportunidade, vou querer adotar sim", conta.

O caminho mais longo começa em Augustinópolis, cidade de 15 mil habitantes localizada na região conhecida como Bico do Papagaio, norte do Tocantins. Na maternidade da cidade, um caso comoveu os moradores no começo de 1992. Deusa, menina de 13 anos, deu à luz os gêmeos Marlon e Marlone. Sem condições físicas e emocionais de ficar com os meninos (a gravidez foi resultado de um abuso sexual), ela decide doá-los. Marlon ficou com os avós maternos e se mudou para o Piauí; Marlone continuou no Tocantins com a família de Jaldo e Eunice. 

O jogador ficou sabendo que era adotado quando tinha oito anos. Seu Jaldo abriu o jogo porque não gostava de nada escondido. O menino já tinha maturidade para entender as coisas, pois a mãe vendia salgados na rodoviária e o pai era servidor público. Marlone e mais cinco irmãos – havia mais outro adotado – tinham de se virar sozinhos. "Naquela época, éramos só Deus e a coragem. Somos pessoas humildes, mas o básico a gente tem", conta seu Jaldo, servidor público.

Marlon e Marlone sabiam da existência um do outro, mas só se reencontraram quando tinham 12 anos, novamente em Augustinópolis. Foi uma cena de cinema, como faz questão de contar Marlone. "Os meninos da cidade já sabiam dessa história, de que eu tinha um irmão gêmeo, mas não acreditavam. Quando voltavam do mercado, eles viram um menino igual a mim em um ponto de ônibus. Peguei a bicicleta e fui correndo. No quebra-mola, vi minha mãe e meu irmão pela primeira vez. É uma imagem que guardo até hoje. Foi emocionante", conta. 

Os dois tentaram ficar juntos, mas os avós precisavam da ajuda de Marlon nas plantações do Piauí. Paralelamente, trilharam caminhos distintos no futebol. Marlone foi do Vasco, Cruzeiro, Fluminense e do Sport até ser contratado pelo Corinthians. Marlon atuou no Olaria, Madureira, Boa Esporte e hoje está no Gama, do Distrito Federal. O tempo dos dois não se perdeu. “Quando a gente se encontra é como se fôssemos dois meninos rolando pelo chão. É um jeito de recuperar a infância”, diz o meia corintiano.

Marlone tem uma relação distante com a mãe biológica, que mora no Piauí. "Eu ligo de vez em quando, mas não é a mesma coisa que os pais adotivos". A experiência da adoção serve como inspiração para a vida. Antes de ser chegar ao Corinthians, Marlone foi um dos destaques da campanha "Adote um pequeno torcedor", promovido pelo seu ex-clube, o Sport. O foco eram crianças acima de sete anos e adolescentes. 

O corintiano visitou uma instituição no Recife e mantém o interesse pelo tema em São Paulo. Segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) existem cerca de 5500 crianças em condições de serem adotadas. Já o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA) aponta que são 44 mil crianças e adolescentes em abrigos. "Aquilo ali (a visita ao abrigo) mexeu comigo porque eu poderia estar ali esperando um pai, uma família... O mundo deles é aquilo ali. Elas estão precisando de amor, pode ter certeza".

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Corinthians aciona 17 milhões de seguidores para angariar votos

Clube faz campanha nas redes sociais para pedir voto ao meia na eleição do prêmio Puská

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2017 | 17h00

O Corinthians está em campanha para o meia Marlone ser consagrado com o prêmio Puskás de gol mais bonito de 2016. As redes sociais do clube têm pedido aos torcedores e seguidores para participarem da eleição no site da Fifa, decidida por voto popular. Os internautas podem participar até esta segunda-feira, horas antes da cerimônia.

Desde o anúncio da presença do lance contra o Cobresal na lista dos dez indicados, em novembro, o Corinthians iniciou no Facebook, Twitter e Instagram a mobilização para ajudar o atleta a ganhar a disputa. As mensagens são acompanhadas com a imagem e a legenda "Vote no gol do Marlone".

Se somadas as três redes sociais o clube tem 17 milhões de seguidores. Segundo o superintendente de marketing do Corinthians, Gustavo Herbetta, como o alcance está entre os maiores de um clube de fora da Europa, existe grande otimismo de que a campanha vai render o prêmio ao jogador.

"Já fizemos umas 30 postagens para angariar votos. Decidimos ajudar por ser um jogador do Corinthians. Acreditamos que ele realmente merece o prêmio pela qualidade do gol. A torcida está participativa, opina de forma positiva", disse.

 

A mobilização se intensificou no fim de semana. O colega de Marlone no Corinthians, o lateral Guilherme Arana, gravou um vídeo na sexta-feira para pedir o voto da torcida. A mensagem foi divulgada nas redes sociais do Corinthians.

Na última edição do prêmio Puskás, o brasileiro Wendell Lira bateu Lionel Messi na votação dos internautas graças a uma intensa campanha dos brasileiros nas redes sociais. O Corinthians diz não ter usado o episódio como exemplo para organizar a ação de apoio a Marlone.

O clube considera benéfica possível vitória de Marlone. "O Corinthians como imagem vai se valorizar bastante, porque foi um gol na nossa arena, em jogo da Libertadores. Para a nossa marca é importante", afirmou Herbetta.

CONCORRENTES

Os outros dois adversários de Marlone na disputa pelo prêmio de gol mais bonito do ano foram em campeonatos de menor expressão. Um deles é da venezuelana Daniuska Rodriguez, no jogo contra a Colômbia pela Sul-Americano feminino sub-17. Ela driblou duas defensoras e bateu no ângulo. 

O outro lance vem da Malásia. Mohd Subri marcou de falta pelo seu time, o Pulau Pinang, no jogo contra o Pahang. A trajetória da bola fez curva e enganou o goleiro.

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