Pete Kiehart/Reuters
Pete Kiehart/Reuters

Marrocos oferece segurança à Fifa em pleito para a Copa do Mundo de 2026

Em proposta para sediar a disputa após o Catar, país destaca pouca circulação de armas e se opõe ao plano dos EUA

Andrew Das, The New York Times

01 de abril de 2018 | 07h00

A proposta oficial do Marrocos para sediar a Copa do Mundo de 2026 junto à Fifa destacou o baixo índice de assassinatos no país e “a pouca circulação de armas” – uma indireta nada sutil à proposta rival feita pelos Estados Unidos, que vêm fazendo campanha para acolher a competição em meio a um debate nacional sobre o problema das armas no País.

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“O Marrocos é um dos países mais seguros do mundo”, declararam os responsáveis marroquinos em seu sumário executivo, enfatizando conceitos como paixão e sustentabilidade, mas propositadamente evitando fazer menção direta a um problema que está bem à vista: um gasto mínimo de US$ 15,8 bilhões (R$ 52 bilhões) em estradas, ferrovias e construção de pelo menos nove estádios.

Os detalhes da proposta feita pela confederação marroquina foram oferecidos na segunda-feira, quando a Fifa divulgou também a candidatura tripla reunindo as federações de futebol do Canadá, EUA e México.

Há duas semanas os norte-americanos divulgaram os detalhes da sua proposta, chamada United 2026, que inclui projeções de número de ingressos vendidos (5,8 milhões) e a receita obtida com a venda de bilhetes (US$ 500 milhões), e também sublinharam o que seus líderes consideram ser um dos maiores atrativos para a Fifa: 23 estádios e mais de 150 locais de treinamentos já construídos.

Essa certeza – palavra que aparece mais de 50 vezes no documento norte-americano – deve seduzir a entidade, especialmente no caso do torneio de 2026, que será expandido, com 48 equipes na disputa. A proposta apresentada por escrito por EUA, Canadá e México inclui vários novos detalhes: a final será realizada no MetLife Stadium de Nova Jersey, com ingressos entre US$ 21 e US$ 323 para as eliminatórias – os preços dos bilhetes no Marrocos para as primeiras rodadas estão na mesma faixa, embora o tamanho descomunal das arenas na América do Norte signifique que muito mais ingressos serão vendidos.

A proposta do Marrocos é mais incerta. O país propõe um torneio compacto, com os jogos sendo realizados em 14 estádios em 12 cidades, num raio de 550 quilômetros da maior cidade do país que é Casablanca.

Mas nove arenas ainda deverão ser erguidas e as outras cinco necessitam de reformas para atender critérios da Fifa, o que vai exigir gasto de alguns milhões de dólares. As estimativas variam: um novo estádio com 93 mil lugares em Casablanca, onde serão realizados o jogo inaugural e o final, com valor projetado de construção de US$ 400 milhões, e gastos previstos com as arenas comportando 45 mil lugares em Oujda (US$ 400 milhões) e Tetouan (US$ 388 milhões) que, provavelmente, estão abaixo dos previstos para estádios assim.

Seis estádios modulares também estão planejados, cada um custando possivelmente US$ 150 milhões. Ainda segundo a proposta, seriam implementados trens de alta velocidade e uma dezena de estradas e ferrovias, a custo adicional de bilhões de dólares, tudo isso a ser concluído em tempo para o torneio. O valor total apontado pelas autoridades marroquinas quando apresentaram seu plano à Fifa – US$ 15,8 bilhões – não faz parte do sumário executivo, embora conste ali um lucro projetado para a entidade de Infantino de US$ 5 bilhões.

A proposta marroquina é igual em muitos pontos à do Catar para sediar a Copa de 2022: apoio incondicional da monarquia do país como parte de um plano amplo de desenvolvimento nacional; limitação de viagens para as equipes, torcedores e a mídia e uso extensivo de estádios modulares. Não foi uma coincidência: as autoridades do Catar respaldaram a candidatura marroquina e alguns dos consultores responsáveis pelo sucesso do país, que vai sediar a disputa de 2022, colaboraram para fomentar a candidatura do Marrocos para 2026.

A Fifa começará as avaliações técnicas das duas propostas em abril, quando uma comissão de cinco membros visitará os quatro países para fazer uma avaliação de estádios, locais de treino e infraestrutura propostas.

Na reunião da Fifa na Colômbia em março, autoridades africanas que apoiam o Marrocos tentaram debilitar o poder dessa comissão de excluir propostas antes da votação, mas a liderança da Fifa – comandada por Infantino – derrotou a tentativa de mudança das regras. A discussão durou uma hora antes de o cartola pedir aos membros para votarem a matéria, algo que a comissão raramente faz. Uma votação final sobre quem sediará a Copa de 2026 terá lugar em 13 de junho em Moscou, um dia antes do jogo de abertura do Mundial da Rússia. (TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO)

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