Mascherano ganha espaço no Corinthians

Os reservas do Corinthians aprontaram, nesta quinta-feira, para cima dos titulares: 3 a 1 - fora o baile. Entre as estrelas do time, Mascherano era quem mais parecia incomodado com a surra. Numa dividida com o garoto Ronny, exagerou na pegada e entrou com os dois pés na canela do companheiro, um carrinho digno de Brasil e Argentina. Pediu desculpas e seguiu jogando. Há dez dias no Corinthians, o volante que veio do River Plate demonstra entrosamento total em seu novo clube. E rechaça a fama trazida na bagagem de Buenos Aires. "Quero conquistar coisas aqui no Corinthians por mim mesmo, como a condição de líder", disse o atleta, após mais um treino no Parque Ecológico do Tietê, assistido por pouco mais de 100 torcedores que se apoiavam no alambrado para ver os craques de perto. Mascherano já respira Corinthians. Fala da boa vitória sobre o Palmeiras como se tivesse crescido no Parque São Jorge e vivido a rivalidade que existe entre as duas bandeiras. Há quem aposte que o técnico Márcio Bittencourt irá escolhê-lo como capitão para a partida deste sábado contra o Paraná, em Maringá. O treinador tem revezado em sua opção. Nos três últimos jogos, três atletas diferentes carregaram a responsabilidade: Betão, Gustavo Nery e Tevez. "Não sei se tenho perfil de líder. Era chamado de ?Chefe? no River porque meu treinador, o Astrada, dizia que eu era seu sucessor. Não vim para o Corinthians para ser capitão. O que quero é mostrar que posso ser útil ao clube, ganhar campeonatos. É muito bom ter o carinho da torcida e seu reconhecimento. Mas tenho de mostrar quem sou primeiro, fazer coisas aqui para virar um ídolo da equipe", disse. Sozinho em São Paulo - a noiva permaneceu em Buenos Aires -, Mascherano, o ?Masche?, pensa só em trabalho. Diz que assinou contrato de cinco anos com o Corinthians porque acreditou na proposta do clube. "Agradeço o interesse do Corinthians. Quero ser um atleta querido aqui. Para isso, tenho de mostrar meu futebol", comentou. Esse argentino de San Lorenzo (Santa Fé) mostra personalidade ao dizer que não acha que será cobrado mais que os outros somente porque veio de fora. Para ele, só existe uma maneira de não ser criticado pela torcida: jogar bem e com raça. "Se mostrar gana nas partidas, e isso pode ser tanto num clássico como num jogo de menor destaque, o torcedor sempre vai estar do meu lado". Em pouco mais de uma semana no Corinthians, Mascherano já percebeu o valor que o clube dá à Libertadores da América. Mas defende que cada passo deve ser dado de uma vez. "Trata-se de um torneio que o Corinthians ainda não ganhou e que, por isso, se torna tão importante. Mas temos de ter tranqüilidade e fazer as coisas bem feitas", ensina, como se fosse um veterano vindo do River Plate. "Demos um bom passo ao derrotar o Palmeiras. Temos, agora, que seguir vencendo as partidas. Estamos a quatro pontos do líder do campeonato (a Ponte Preta) e nossa intenção é estar no topo em breve". Mascherano garante ser um tipo bem caseiro caseiro. Admite, porém, ter saído à noite com o amigo Carlitos Tevez, mas apenas para comprar roupas num shopping. Acha São Paulo uma cidade linda e grande, mas teme seu trânsito caótico.

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