Massagista do bi mundial se emociona

Emocionado assistindo a decisão e, agora, as comemorações do tricampeonato mundial de clubes, com lágrimas nos olhos, o massagista que participou dos outros dois títulos do São Paulo no Japão, em 1992 e 1993, Hélio dos Santos, não se contém com tantas lembranças. No próximo sábado, ele completará 75 anos, mas diz que seu presente veio antecipado. É um sentimento muito forte e que explode em poucas palavras: ?Que saudade disso tudo!?. Essa é a expressão do profissional que trabalhou durante 20 anos no clube e que se encontra afastado do futebol desde 1997, devido a uma isquemia cerebral que o deixou com inúmeras seqüelas. Estas, por sua vez, foram agravadas por outra doença anterior: a diabates. Duela diariamente pela vida, como o ex-técnico e amigo Telê Santana. Apelidado de ?o massagista das mãos santas?, devido às manobras que realizava para colocar tornozelos de jogadores no lugar, o ?seo? Hélio, com um jeito quieto e pacato, fez da profissão um sacerdócio. Ganhou respeito, admiração e amizade no meio esportivo, não apenas no futebol. Um sucesso inimaginável para quem, aos 22 anos, se desgostou com o futebol quando a Ponte Preta não o vendeu para o Santos, na década de 50. Passou a cuidar do pai doente, que morreu em 1954. Depois disso, se aperfeiçoou na profissão, cursando a Escola de Enfermagem de São Paulo e virando um dos maiores ?práticos? da medicina esportiva. ?Ele é na prática um médico ortopedista?, costumava dizer o fisioterapeuta Nivaldo Baldo. Hélio trabalhou nos dois clubes de Campinas, Guarani e Ponte Preta, antes de chegar ao Morumbi em 1977, onde viveu momentos gloriosos na sua carreira. Foram dois títulos de Mundial Interclubes (1992 e 1993), três Brasileiro (1977, 1986 e 1991) e sete Paulistas (1980-81, 85, 87, 89, 91 e 1992). Através do São Paulo, ele conheceu o mundo - Oriente Médio, Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia. Por conta de suas andanças, viveu instantes históricos também fora do futebol. Um destes momentos foi a audiência que a delegação do São Paulo teve com o papa João Paulo II no Vaticano, quando o time estava em turnê pela Europa, em 1984. Outro fato que ?seo? Hélio guarda com orgulho é a rápida passagem pela seleção brasileira, em 1987, sob o comando do técnico Carlos Alberto Silva. ?O futebol me proporcionou muito mais do que eu poderia sonhar para a minha vida. Vivi muitos momentos inesquecíveis e viajei o mundo. Sou muito feliz pelo o que vivi e grato ao São Paulo?, emociona-se.

Agencia Estado,

20 de dezembro de 2005 | 18h22

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