Mate a saudade: Pepe, um dos ídolo do Santos e o 'canhão' da Vila Belmiro

Segundo maior artilheiro da equipe, ex-craque relembra de partida marcante contra o Palmeiras

Denise Bonfim, O Estado de S. Paulo

21 de março de 2014 | 16h22

SÃO PAULO - Pepe sabe o que fala. "Eu sou o maior artilheiro humano da história do Santos, porque Pelé, com seus 1.281 gols, veio de Saturno, outro planeta". É sempre com bom humor que Pepe, goleador e ídolo do time alvinegro na década de 60, se define em sua biografia. O 'Canhão da Vila', como era chamado nos gloriosos tempos de faltas bem batidas no estádio da Baixada, conta que, dentre tantas partidas boas ao lado de Pelé, teve uma em especial que marcou sua carreira. Foi num clássico com o Palmeiras, aquele 7 a 6 no Pacaembu, válido pelo Rio-São Paulo de 1958. "Foi o jogo mais emocionante que o futebol brasileiro já viu", disse o eterno ponta-esquerda santista. Pepe fez três gols naquela partida.

Dono da ponta-esquerda, posição que quase não se vê no futebol atual, Pepe nasceu em 1935, em Santos. Começou a defender o time da Vila ainda nas categorias de base, em 1954. Mesmo jogando ao lado de artilheiros de ofício como Pelé e Coutinho, ele não passou despercebido no ataque. Em 16 anos na Vila, marcou 405 gols, ficando apenas abaixo do Rei nas estatísticas.

Na bola parada, não tinha igual. Pepe era o terror dos zagueiros que se colocavam à frente da bola, na barreira. E, claro, fazia jus ao apelido de canhão - alguns dizem que a potência de seu chute chegou a derrubar jogadores. Em 1958, ele levou todo o talendo mostrado no futebol paulista para a Copa do Mundo, mas assim como também viria a acontecer na edição seguinte do Mundial, em 1962, Pepe teve de ceder lugar de titular a Zagallo. Nas rodas de amigos, Pepe brinca dizendo que Zagallo batia bumbo mais forte que ele. Por isso era o titular.

Foram 750 jogos. Pepe tem um currículo invejável: nove títulos paulistas, cinco Taças Brasil, quatro torneios Rio-São Paulo, duas Libertadores da América e dois Mundiais Interclubes - tudo isso tendo defendido apenas um clube durante a carreira, o Santos. Pepe também detém recordes, como o de maior vencedor do Campeonato Paulista (13 edições) e o de quarto maior artilheiro dos clubes brasileiros, ficando atrás de Pelé, Roberto Dinamite e Zico. Ou seja, nenhnum outro fez mais gols que ele no futebol nacional. Não é pouco.

Pepe jogou também numa época em que o Santos, e também o Palmeiras, deitava e rolava, só ganhava de goleada. O clássico no Pacaembu vencido pelo Santos por 7 a 6 é um exemplo disso.

BANCO DE RESERVAS

Após o bicampeonato mundial com a seleção em 1962 e a vitoriosa carreira no Santos, Pepe se aposentou para se lançar à carreira de treinador. Além do próprio Santos, dirigiu times como Atlético-MG, Náutico e São Paulo, onde ganhou seu título de maior expressão como comandante, o Brasileirão de 1986. No mesmo ano, na Inter de Limeira, levou pela primeira vez na história um time do Interior ao título estadual. A última equipe pela qual Pepe passou foi a Ponte Preta, em 2006.

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