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MATE SAUDADE - Líder do Brasileirão, Cruzeiro brilhou na década de 60 com Tostão

Uma das estrelas do título brasileiro de 1966, jogador foi peça fundamental também na seleção, em 1970

Denise Bonfim, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2013 | 15h13

SÃO PAULO - Tostão nasceu Eduardo Gonçalves de Andrade em 25 de janeiro de 1975. Apresentado para o futebol ainda nas ruas próximas de casa, o garoto se perdia em meio aos mais velhos nos 'amistosos' da várzea. Por esse motivo, ganhou o apelido - o tostão, moeda que estava se desvalorizando na época, fazia alusão ao seu tamanho e à sua pouca idade. O primeiro passo foi dado nas quadras do Cruzeiro, em 1961. Anos mais tarde e já com passagem pelo futebol de campo do América-MG, Tostão retornou ao time celeste para fazer parte da equipe principal. Os mineiros haviam se reforçado com Wilson Piazza e Dirceu Lopes, e juntos, os três jogadores participaram de uma das partidas mais importantes de toda a história do clube.

O adversário era o Santos, de Pelé e todos aqueles, pela final do Campeonato Brasileiro de 1966. Bi-campeão da Libertadores e do Mundo em 1962-1963 e pentacampeão da Taça Brasil, o time da Vila Belmiro era rechado de craques. O Cruzeiro, comandado por Tostão e Dirceu Lopes, deu um show no Mineirão: incríveis 6 a 2. No jogo de volta, os paulistas ameaçaram uma reação, mas novamente o Cruzeiro se deu bem, e com um 3 a 2, ficou com o título. Com um gol na primeira partida, Tostão já se consagrava como ídolo no clube que defendeu por dez anos.

Durante o período que esteve no Cruzeiro, Tostão conquistou diversos títulos, dentre eles o pentacampeonato mineiro (1965, 1966, 1967, 1968 e 1969) e o famoso título nacional de 1966. É artilheiro absoluto na história do clube, com 249 gols. Reconhecido como ídolo da parte azul de Minas, foi na Copa do Mundo em que a seleção levou o tri, em 1970, que Tostão conquistou o País, escrevendo seu nome para sempre na história do esporte nacional. Ao lado de ícones como Clodoaldo, Pelé, Gérson, Rivelino e Jairzinho, o Brasil bateu a tradicional Itália na final do Mundial, no México, por 4 a 1. A jogada mais lembrada do jogador foi contra a Inglarerra, quando o gol de Jairzinho nasceu de um lance seu. Pelo Brasil, Tostão marcou 36 vezes em 65 partidas. Quem nunca o viu jogar, perdeu. Quem o viu, pode matar saudade.

Em 1969, em uma partida pela seleção brasileira, Tostão machucou o olho. Era jogo das Eliminatórias da Copa. Pouco tempo depois, recebeu uma bolada do zagueiro corintiano Ditão no mesmo olho esquerdo, que lhe causou um deslocamento de retina. O jogador teve de ser operado. Recuperado tempos depois, Tostão continuou nos gramados após o incidente. Em 1972, se transferiu para o Vasco, mas sua passagem pelo time carioca duraria pouco.

FIM PRECOCE

A carreira de Tostão como jogador terminou quando ele ainda tinha 27 anos. O problema no olho piorou, e com o risco de ficar cego, abandonou o futebol. Em 1975, ingressou na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, onde se formou médico em 1981. Anos mais tarde, já da década de 1990, retornou ao futebol como comentarista e escritor. Atualmente, o ex-jogador assina semanalmente uma coluna no jornal Folha de S.Paulo.

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