Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Matemáticos da bola' têm vida dura

Responsáveis por projeções sobre chances dos times no Brasileiro ficam ‘ligados’ até durante o lazer

Gonçalo Júnior, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2016 | 08h00

O celular do engenheiro Tristão Garcia toca o ano todo, principalmente na reta final do Campeonato Brasileiro. O professor de “Circuitos Elétricos” no curso de Engenharia da Universidade Federal de Rio Grande do Sul é uma referência nos cálculos estatísticos na área esportiva. Diante de quatro monitores de tevê e três computadores em seu escritório no Rio Grande do Sul, o especialista de 58 anos define assim seu trabalho. “A gente tenta antecipar o futuro a partir do que aconteceu no passado”, diz o criador do site Infobola

O estatístico Marcelo Leme de Arruda, dono do site Chance de Gol, outra referência no mercado nacional, fica feliz com o reconhecimento, mas lamenta que a estatística ainda seja um tema nebuloso para os torcedores. “As pessoas ainda confundem alguns conceitos básicos e fazem algumas críticas sem fundamento, mas esse é um problema da educação brasileira”, avalia. “Probabilidade alta não significa certeza do fato, por exemplo”, explica. 

Para ilustrar, Marcelo usa o Campeonato Brasileiro de 2009, quando o Fluminense chegou a ter 99% de risco de rebaixamento, mas acabou se salvando com Cuca, hoje técnico do Palmeiras. O Fluminense somou apenas 46 pontos, sendo 19 nos últimos sete jogos. Marcelo conta que foi criticado pela ascensão do time carioca. “A estatística é um retrato de um momento. O cenário muda a cada rodada”, diz.

Torcedor do São Paulo, Marcelo afirma que já foi mais fanático. Sua última vez no Morumbi foi no ano distante de 2007. Hoje, ele concilia o trabalho no site com um expediente em tempo integral como estatístico judiciário no Tribunal de Justiça de São Paulo. “O site não estava dando o retorno financeiro que eu esperava e precisei de outro emprego”, diz Marcelo. 

Tristão e Marcelo atualizam uma tradição que começou com o matemático Oswald de Souza, que se tornou conhecido a partir da década de 1970 ao calcular a probabilidade de acertos na loteria esportiva no programa Fantástico da Rede Globo. 

Tristão confessa que a paixão pelos números já virou escravidão. A matemática está até nas horas de lazer. Ele se obrigou a queimar 500 a 600 calorias diárias com tênis, musculação e esteira. Para isso, tem três relógios que medem desde o número de passos até o consumo de oxigênio. Treina até na madruga.

“No final do mês é um desespero para bater a média. É isso o que acontece com os clubes nas rodadas finais. O segredo da vida é a regularidade." 

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