Pedro Martins/Mowa Press
Pedro Martins/Mowa Press

Matheus, o sangue de Tite na seleção brasileira rumo à Copa do Mundo

Aos 28 anos, filho do treinador precisou superar diversas dúvidas da torcida por conta do parentesco

Alison Negrinho, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2017 | 07h00

Quando Tite foi anunciado como novo treinador da seleção brasileira em 2016, um nome despertou atenção: Matheus Bacchi. Filho do comandante, o auxiliar técnico e tecnológico da seleção precisou superar uma série de dúvidas levantadas pela torcida por conta justamente de trabalhar com o pai, para mostrar sua real importância na arrancada do Brasil que, com oito vitórias seguidas, já garantiu vaga na Copa do Mundo da Rússia em 2018.

“Meu dia a dia fora dos períodos de convocações é na CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Temos a rotina diária de trabalho, onde faço análise de adversários e de atletas convocáveis, além de estudar comportamentos táticos das equipes do Brasil e do mundo”, explicou Matheus, de 28 anos, em entrevista exclusiva ao Estado. “Também analiso o nosso desempenho nas últimas partidas e viajo para ver jogos e treinos de jogadores que podem ser convocados, no Brasil e no mundo”, completou.

Ser filho de alguém com diversas conquistas como Tite pesa quando o assunto é o futuro. Com o sonho de também ser treinador, Matheus espera, aos poucos, trilhar seus próprios passos. “É muito difícil almejar seguir os passos de alguém tão vitorioso, competente e completo. O que eu tenho como objetivo, sim, é ser técnico de futebol, seguindo o meu caminho”, afirmou. “Tenho a consciência que sempre vou levar comigo a bagagem de ter um pai que é referência mundial na profissão.” 

Engana-se, porém, quem pensa que ele está na seleção apenas pela questão familiar. Para chegar ao cargo que ocupa, precisou provar para o próprio pai que estava pronto. O primeiro trabalho como auxiliar foi no Caxias, em 2015. O clube do interior do Rio Grande do Sul é emblemático para o atual técnico do Brasil, já que foi lá que conquistou seu primeiro título de expressão à beira do gramado. Na ocasião, venceu o Grêmio na finalíssima do Campeonato Gaúcho de 2000, dentro do Estádio Olímpico.

Do Caxias, onde permaneceu durante o campeonato estadual, foi para a Europa para aperfeiçoar os conhecimentos no Barcelona. Lá, permaneceu por uma semana, antes de voltar ao Brasil e seguir seu trabalho como auxiliar no Corinthians, que era treinado por seu pai. Após isso, se tornou peça fundamental na comissão técnica do comandante.

“Fiz curso de Coaching no Brasil e estágios no Shakhtar Donetsk, Inter de Milão, Barcelona e Flamengo. Hoje continuo estudando cada vez mais, independente de onde estou, sei que sempre preciso buscar conhecimento profissional e pessoal.”

Antes de se tornar auxiliar técnico e tecnológico, Matheus Bacchi ainda sonhava em ser jogador de futebol, como Tite. Com a dificuldade de estudar e jogar ao mesmo tempo no Brasil, fez intercâmbio nos Estados Unidos e se formou em Ciência do Exercício na Carson Newman University. 

“Sempre ouvi do meu pai que precisava me qualificar se um dia quisesse trabalhar no futebol. Então procurava conciliar estudo e futebol quando ainda jogava no Rio Grande do Sul. Acabei indo para os EUA para conseguir conciliar, porque já não estava conseguindo isso no Brasil. Essa experiência me acrescentou muito, tanto dentro quanto fora de campo, na questão técnica e tática do futebol. Por estar convivendo com muitos atletas e treinadores de diferentes locais do mundo, cada um tem uma ideia e visão distinta”, contou Matheus, que destacou a força dada por Tite. 

“Aprendi muito com os europeus a jogar em linha de quatro, as coberturas, áreas de ação. Mecanismos de sistemas táticos que até então no Brasil não eram muito utilizados, o que com certeza me deu uma segurança maior ao retornar pro País” afirmou. Ele ainda contou que tanto seu pai quanto sua mãe, Rose. “Meus pais me apoiaram muito. Eu trocava muitas ideias com meu pai sobre o que eu aprendia com essas diferentes culturas e ideias de ver futebol”, disse. 

Com o intercâmbio para os Estados Unidos cada vez mais comum no Brasil, Matheus vê a possibilidade de estudar e treinar como determinante para a ida. "Acredito que muitos jovens brasileiros veem a chance de continuar estudando e praticar um esporte em bom nível de competitividade e por isso acabam optando pelo intercâmbio. No Brasil fica difícil, pois muitos destes jovens não conseguem conciliar", finalizou.

 

Tudo o que sabemos sobre:
FutebolTiteCBFBrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.