Matonense: dois times e muita confusão

Um dos casos mais curiosos já vistos no futebol brasileiro, que fez com que duas equipes do mesmo clube, a Matonense, fossem a campo no último domingo para enfrentar o Nacional, pela Série A-2 do Campeonato Paulista, está longe de ter uma solução. Está marcada para esta terça-feira uma reunião entre o prefeito de Matão, Adauto Scardoelle (PT), e a diretoria do clube para tentar facilitar a rescisão contratual com a Futura Esporte, empresa de marketing esportivo que tem contrato para gerir o futebol do clube. A Federação Paulista, aguardando um final natural, ainda não se posicionou sobre o inusitado caso.A advogada Daniela Volpe Gomez, que trabalha para a Futura no caso com a Matonense, disse que o presidente Oberdan Silva está descumprindo ordem judicial colocando em campo seus jogadores para disputar o Campeonato Paulista da Série A-2 com a camisa do c lube. Por isso, a empresa entrou com processos civil e criminal contra o dirigente.A Futura Esporte teve ganho de causa na Justiça graças a uma liminar concedida pela 1ª Vara de Matão, mas na súmula da partida contra o Nacional, constavam apenas os nomes dos jogadores contratados por Oberdan, sem vínculo com a empresa.Assim, os atletas da Futura foram considerados irregulares e retirados à força de campo, mesmo com seus respectivos cartões assinados pelo próprio presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero - o que, na prática, significa que estão inscritos. A advogada tem em seu poder os cartões dos jogadores vinculados à empresa.Segundo a assessoria de imprensa da Matonense e do presidente Oberdan Silva, a liminar ganha pela Futura Esporte garantia à eles apenas a inscrição de seus jogadores junto a Federação e a participação deles no jogo. O técnico, no entanto, não precisaria ser Israel de Jesus, que também é acionista da empresa. Marcos Nunes, o técnico do presidente, teria então a liberdade de relacionar quaisquer dos jogadores inscritos - cerca de 35 devido à confusão - para a partida. Foi dito também que o próprio Oberdan teria recebido uma ligação da Federação para que a partida ocorresse e que o time que estava na súmula, o do presidente, jogasse. "Nos ligaram da Federação dizendo que o jogo deveria acontecer e que o nosso time é que teria que entrar em campo", revelou o assessor.HISTÓRICO - Pouco tempo depois de firmado, o acordo de parceria entre a Futura Esporte e a Matonense, o problema teve início. Oberdan Francisco da Silva - ex-funcionário da própria Futura - afirmou que o contrato foi rompido por motivo de inadimplência. A empresa não vinha efetuando os pagamentos desde agosto do ano passado e uma cláusula previa o fim do acordo 30 dias depois. O contrato foi firmado em meados de 2004 com duração de dois anos. Além disso, ainda segundo Oberdan, o acordo era abusivo e o Conselho Deliberativo do clube jamais foi a favor, recaindo até uma certa desconfiança sobre o então presidente Nelson Martins, que concretizou a parceria assim mesmo. Sem o apoio da empresa, Oberdan alega que procurou outros investidores - pessoas físicas que, de acordo com o dirigente, preferem ficar no anonimato - e conseguiu outros jogadores para o elenco.Já Adenir Coelho dos Santos, diretor da Futura, diz que o contrato ainda é válido, graças à decisão da Justiça e que, por isso, manteve os jogadores contratados pela empresa concentrados e em regime de treinamento antes do campeonato começar. Além disso, Ademir acusa Oberdan de ter assumido a presidência da Matonense "na calada da noite", reunindo-se com conselheiros após a saída do antecessor Nelson Martins. Outra hipótese levantada por Adenir para a postura de Oberdan à frente do clube é a de que, temendo perder o cargo de diretor de marketing na Futura por ineficiência - não conseguiu atrair patrocinadores - , tenha resolvido afastar a empresa quando assumiu o cargo máximo do clube de Matão. Esta mesma Futura Esporte, em 2003, comandou o futebol da Portuguesa Santista no Campeonato Brasileiro da Série C. Depois rompeu acordo com a diretoria.Certo é que, pela reação das mais de 1.500 pessoas que compareceram ao estádio "Hudson Buck Ferreira" para a partida diante do Nacional, a empresa Futura Esporte não é benquista entre os torcedores. Na própria súmula, feita pelo árbitro Kléber José de Me llo, consta que "a torcida, indignada, vaiava e hostilizava os elementos estranhos". Oberdan Silva espera quebrar o contrato, mesmo ciente de que terá que arcar com uma multa no valor de R$ 500 mil pela rescisão.A expectativa de um acordo entre as partes é negativa, o que prevê futuros problemas nos demais jogos do time. O próximo compromisso será em Bauru, sábado, contra o Noroeste, pela terceira rodada do Campeonato Paulista da Série A-2. NO meio de tanta conf usão, o time perdeu seus dois primeiros jogos para Guaratinguetá, por 1 a 0, e Nacional, 2 a 1, sem somar ponto no Grupo 2.

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