Matonense: técnico promete recorrer

O imbróglio envolvendo a Matonense, que no início do Campeonato Paulista da Série A-2 entrou em campo com duas equipes, está perto de ser solucionado. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paulista de Futebol (FPF) decidiu nesta sexta-feira suspender o técnico Israel de Jesus, que também é sócio da Futura Esportes, por três anos e os 26 jogadores ligados à empresa por 120 dias. A decisão foi tomada em primeira instância e cabe recurso.A punição é conseqüência dos incidentes registrados no domingo passado, quando duas equipes estiveram em campo, em Matão, para representar a Matonense na partida contra o Nacional. Cerca de 40 atletas estão inscritos no time, mas 26 pertencem à Futura Esportes, empresa que assumiu o departamento de futebol do clube. Os demais jogadores foram inscritos pelo presidente Oberdã Silva, ex-funcionário da Futura e que resolveu romper o contrato por considerá-lo ilegal e prejudicial ao clube. O vínculo, firmado em meados do ano passado, tem dois anos de duração e estipula uma multa de R$ 500 mil.Com três time em campo, a partida só foi iniciada duas horas depois do horário previsto. Mesmo assim, com a intervenção da Polícia Militar que carregou para fora de campo o técnico da Futura e expulsou seus jogadores na base dos cassetetes.A sessão extraordinária foi presidida por Carlos Alberto Ferraz e Silva, que teve participação decisiva na votação. Ele deu o voto de minerva para as punições, uma vez que os auditores - José Carlos de Mello Dias, Luiz Carlos Telles e Miguel Marques e Silva - estavam divididos. Um deles absolveu os jogadores e pediu um ano de suspensão ao técnico. Outro absolveu o técnico e votou pela suspensão de 120 dias para cada jogador. O terceiro sugeriu a condenação dos atletas e do técnico, mas somente no artigo 279, sujeito a punição de um a dois anos.Os jogadores foram penalizados com base no artigo 256 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que diz que todo atleta que tentar impedir, por qualquer meio, o transcorrer normal de uma partida, poderá sofrer suspensão de 120 a 360 dias. Já o técnico e empresário da Futura, Israel de Jesus, foi citado no parágrafo único do artigo 256, que diz que se a infração for praticada em virtude de ordem superior, ficará o autor sujeito à pena de um a quatro anos de suspensão. E também no Artigo 279, que diz que quem incitar publicamente a prática de infração, pode ser punido pelo prazo de um a dois anos de suspensão.RECURSO CERTO - A defesa parece que já esperava a decisão e prometeu recorrer dentro do prazo legal. "Já estamos interpondo um recurso. Nesta sexta-feira mesmo tentaremos um efeito suspensivo e na quinta-feira que vem entraremos com um recurso definitivo", assegurou a advogada Daniela Bocchi Gomez, que ao lado do jurista Marcelo Góes, fez a defesa dos réus. A advogada até entendeu o procedimento do tribunal, dizendo que a justiça, na área esportiva, não reconhece uma empresa, então "quem sofreu punição foram os atletas e o técnico da Matonense".O prazo expira na próxima sexta-feira, mas os advogados confirmaram que no máximo, quinta-feira, o recurso já estará protocolado no Tribunal. "Decisão judicial não se discute, recorre-se. No novo julgamento perante o Tribunal em sua composição plena, vamos tentar reverter a situação", explicou Marcelo Góes.Até o polêmico Israel de Jesus também não se surpreendeu com a medida tomada pelo tribunal. "Pelos artigos que foram impostos, eu já estava ciente das punições que eu poderia sofrer. Já estava preparado. Vamos buscar o efeito suspensivo. É mais uma batalha que vamos buscar. Estou confiante que conquistaremos o efeito suspensivo e vou continuar treinando meus jogadores para a próxima partida", comentou, lembrando que o direito de representar a Matonense é da Futura Esportes por uma ordem judicial. "A nossa empresa trabalha sério, um trabalho de coragem e ousadia", completou.A Matonense volta a campo no dia 13 de fevereiro contra o São Bento, em Matão, buscando sua primeira vitória. Perdeu na estréia para o Guaratinguetá, por 1 a 0, depois para o Nacional, por 2 a 1, ambas sob o comando do grupo do presidente Oberdã silva. Na quinta-feira, então com o time comandado por Israel de Jesus, amparado por uma liminar na justiça cível, a Matonense perdeu para o Noroeste, em Bauru, por 1 a 0. E deu muito azar, porque sofreu o gol da derrota aos 47 minutos do segundo tempo.O que ninguém sabe ainda é qual time entrará em campo. O TJD suspendeu 26 jogadores.

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2005 | 18h14

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