Ahmed Jadallah/Reuters
Ahmed Jadallah/Reuters

Mazembe, Raja e Al Ain: tropeços em semifinais de Mundiais viram alerta para o Palmeiras

Derrotas de sul-americanos podem deixar lições para o atual campeão da Libertadores enfrentar o Tigres

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2021 | 08h00

O histórico de as semifinais de Mundiais de Clubes seram complicadas para times sul-americanos ligam o alerta do Palmeiras para a partida deste domingo diante do Tigres, do México, em Doha. Apesar de ser cabeça de chave e de começar o torneio nesta fase, a equipe sul-americana trata o adversário com cautela para não repetir os fracassos recentes de outros campeões da Copa Libertadores.

Disputado no atual formato desde 2005, o Mundial de Clubes da Fifa teve nessas 15 edições apenas quatro derrotas de sul-americanos na semifinal. No entanto, nos últimos dez anos passou a ser bem mais comum o time vencedor da Libertadores ter dificuldades. De 2010 para cá, foram registradas quatro eliminações e mais outras duas vitórias garantidas somente na prorrogação.

O ex-zagueiro Bolívar estava em campo na primeira zebra em uma semifinal. Em 2010 o Inter foi surpreendido e perdeu por 2 a 0 para o Mazembe, da República Democrática do Congo. O resultado é lembrado até os dias de hoje como uma lição.  "Para ganhar o Mundial você precisa ter foco na semifinal, que eu acho primordial. Não pode dar margem de erro para o adversário", disse ao Estadão.

Na opinião de Bolívar, um cuidado a ser tomado pelos times é chegar ao Mundial focado somente na decisão e não se concentrar adequadamente para a estreia. "A gente teve uma derrota que não era esperada. Até comentaram na época que foi a soberba, mas não foi isso. O adversário não chegou por acaso à semifinal. Você precisa estar concentrado em busca do objetivo", explicou.

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A gente teve uma derrota que não era esperada. Até comentaram na época que foi a soberba, mas não foi isso.
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Bolivar, Zagueiro do Inter em 2010

Fora o Inter, mais outras três equipes sofreram derrotas na semifinal. Todas foram diante dos times da casa. O Atlético-MG foi surpreendido em 2013 ao perder por 3 a 1 para o Raja Casablanca, do Marrocos. Anos mais tarde, os colombianos do Atlético Nacional levaram de 3 a 0 do Kashima Antlers, do Japão. Por fim, em 2018 o River Plate caiu nos pênaltis para o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos.

Outras duas equipes sul-americanas tiveram enormes dificuldades para vencer. O San Lorenzo, por exemplo, bateu o Auckland City por 2 a 1 na prorrogação em 2014. Mais recentemente, foi a vez do Grêmio. O time gaúcho encontrou o Pachuca na semifinal de 2017 e ganhou por 1 a 0 graças ao gol de Everton Cebolinha no tempo extra.

Mesmo quem venceu as semifinais não costumou ter vida tranquila. São Paulo (2005), Inter (2006) e Corinthians (2012) passaram à decisão e foram campeões mundiais, mas antes disso tiveram jogos muito complicados diante dos adversários. Até mesmo Boca Juniors (2007) e River Plate (2015) só avançaram à fase seguinte com vitórias por 1 a 0 sobre, respectivamente, Étoile du Sahel (Tunísia) e Sanfrecce Hiroshima (Japão).

Segundo Bolívar, o calendário da Libertadores pode ser uma vantagem para o Palmeiras neste ano. Desde 2017 a competição sul-americana aumentou de duração e em vez de terminar no meio da temporada, tem encerramento mais para o fim do ano, geralmente no mês de novembro. Para o ex-jogador do Inter, isso ajuda os times a irem ao Mundial em alto ritmo competitivo.

"Naquele modelo que a gente jogou, esperávamos seis meses para ter a decisão. Acho que agora você já está na atmosfera do título, no embalo de um time campeão, com a autoconfiança lá cima. No modelo anterior você podia ter feito jogos ruins que afetam sua autoestima. Palmeiras ainda está com o gosto do título, de um time vencedor. Isso é importante para uma sequência", afirmou.

 

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