Mazembe surpreende Inter e vai à final do Mundial

O Internacional viu de maneira inusitada e surpreendente o sonho da conquista do bicampeonato mundial virar pó. O time brasileiro foi eliminado da disputa pelo título do Mundial de Clubes da Fifa ao perder por 2 a 0 para o Mazembe, do Congo, nesta terça-feira, no Estádio Mohammed bin Zayed, em Abu Dabi.

BRUNO CHAZAN, Agência Estado

14 de dezembro de 2010 | 15h56

Com o resultado, a zebra africana, que já havia aprontado contra o Pachuca, do México, nas quartas de final, classificou-se para a decisão, no próximo domingo, contra o adversário da outra semifinal, entre Inter de Milão e Seongnam, da Coreia do Sul. O Inter terá que se contentar com a disputa pelo terceiro lugar contra o perdedor desse confronto, no sábado. Muito pouco para quem planejou todo o segundo semestre com o objetivo de repetir o feito de 2006.

O maior carrasco colorado atende pelo nome de Muteba Kidiaba. O goleiro do Mazembe roubou a cena ao fazer várias defesas difíceis e literalmente fechar o gol. Disto, aliás, os africanos entendem: antes de cada tempo dos jogos, os 11 jogadores ajoelham-se na linha da meta e fazem, aparentemente, uma espécie de oração. Os místicos dirão que o ritual surtiu resultado nesta terça. Os práticos defenderão que faltou tranquilidade para o Inter nas finalizações.

No primeiro tempo, o time brasileiro cumpriu bem o plano de marcar forte no campo de ataque. O resultado disso foi a bola mais tempo a seus pés - 59% de posse, segundo o site da Fifa - e maior volume de jogo. Antes dos 10 minutos, já havia criado duas boas chances de gol, ambas com Rafael Sóbis. Na primeira, o atacante recebeu de Tinga na área e bateu por cima. Na segunda, de frente para o gol, chutou em cima do goleiro Kidiaba.

E as oportunidades surgiam com naturalidade, principalmente em jogadas pelos lados do campo. Aos 21, Nei cruzou na área e Tinga, livre na linha da pequena área, cabeceou por cima do gol. Estava claro que o principal obstáculo colorado seria a ansiedade no momento de botar a bola para dentro.

E o Mazembe soube tirar proveito dessa imprecisão. Os africanos, que no primeiro tempo só assustaram em chutes de fora da área, abriram o placar no único vacilo da defesa colorada até então. Aos 8 da etapa final, Kabungu recebeu na área, à frente de Índio e Bolívar, e teve ampla liberdade para dominar no joelho e bater cruzado, longe do alcance de Renan.

Não sobrou alternativa ao Inter a não ser partir para a pressão. Rafael Sóbis teve, de novo, mais duas oportunidades. Na primeira, se atrapalhou para dominar a bola na área e precisou bater de esquerda, para outra difícil intervenção de Kidiaba. Na segunda, após cruzamento da esquerda, cabeceou por cima do gol.

O técnico Celso Roth tentou dar mais poder ofensivo ao Inter com uma mudança dupla no Inter: trocou Alecsandro e Tinga por Leandro Damião e Giuliano. Este último, maior destaque do time no título da Libertadores, continuou o repertório de gols perdidos ao bater sozinho na área e ver Kidiaba fazer mais um milagre.

A pá de cal na esperança colorada veio aos 40. Kaluyituka recebeu na esquerda, levou para o meio e bateu forte, rasteiro, no canto direito de Renan. Os cerca de cinco mil torcedores colorados que pagaram caro para acompanhar o time nos Emirados Árabes terão uma amarga viagem de volta.

FICHA TÉCNICA:

Mazembe 2 x 0 Internacional

Mazembe - Kidiaba; Kimwaki, Kasusula, Nkulukuta e Ekanga; Mihayo, Bedi, Kaluyituka e Kanda; Singuluma e Kabangu (Kanda). Técnico - Lamine N''Diaye.

Internacional - Renan; Nei, Índio, Bolívar e Kléber; Wilson Mathias, Guiñazu, Tinga (Giuliano), D''Alessandro e Rafael Sóbis (Oscar); Alecsandro (Leandro Damião). Técnico - Celso Roth.

Gol - Kabangu, aos 8, e Kaluyituka, aos 40 minutos do segundo tempo.

Árbitro - Bjorn Kuipers (HOL).

Cartões amarelos - Nkulukuta, Índio e Kasusula.

Local - Estádio Mohammed bin Zayed, Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.

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