Damir Sagolj/Reuters
Damir Sagolj/Reuters

Mbappé brilha em campo na Copa e, fora dele, ainda busca ser global

A imagem do atacante francês de 19 anos ainda está em construção além das quatro linhas

Yassine Khiri / Nijni Novgorod, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 00h00

Após seu “doblete” diante da Argentina pelas oitvas de final da Copa do Mundo, ele conquistou elogios grandiloquentes e comparações com superestrelas do futebol. Mas, com apenas 19 anos, Kylian Mbappé ainda tem um longo caminho a percorrer para se transformar em um craque global à altura de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi ou Neymar, especialmente em termos de imagem para as empresas.

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Seu belo sorriso foi capa de muitas revistas em todo o mundo, e sua façanha – dois gols em uma única partida de Copa – levou a comparações com o rei Pelé, e inclusive um editorial da prestigiada revista The New Yorker fez referência a esse garoto “tão rápido”.

A atuação magistral contra a Argentina de Messi, marcando dois gols e sofrendo um pênalti, colocou nos holofotes o principezinho de Bondy (subúrbio de Paris) que parece agora cruzar as fronteiras francesas e europeias, onde já brilha há dois anos. Falta a conquista global.

“Podemos sugerir que a história vai se tornar internacional, mas estamos muito longe disto”, disse Frank Hocquemiller, da agência VIP Consulting, especializada em gestão de direito de imagem das celebridades. “Agora ele tem de confirmar e deve começar pela partida contra o Uruguai”, acrescentou.

 

É a dura lei das superestrelas: ter de fazer mais, provar, confirmar, durar... “Queria estar no alto de um cartaz”, admitiu Mbappé à revista francesa Paris Match, antes do Mundial. “Um vestiário de estrelas, um clube ultramidiático. É preciso assumir, escolhi esta vida.” 

Antes da Copa, o atacante do Paris Saint Germain inaugurou seu site pessoal em torno de suas iniciais (KM) no estilo de Cristiano Ronaldo e o seu lucrativo “CR7”. Sua patrocinadora, a Nike, projeta usá-lo para desenvolver sua estratégia de marketing na França. Um privilégio quase inédito: um dia após assinar com o PSG, a Nike colocou uma foto dele (como ocorreu com Zidane, em Marselha) em um dos edifícios de Bondy, no subúrbio de Paris.

Bert Hoyt, vice da Nike encarregado da área do futebol, explicou recentemente que Mbappé, como Neymar, outra estrela do PSG, têm sido importantes em Paris. “Ao jogar no PSG, um dos maiores clubes do mundo, eles criaram uma enorme oportunidade em torno da juventude parisiense.”

TEM DE DURAR

Depois de aparecer em todos os sites no motor de busca do Google, em seguida ao êxito diante da Argentina, Mbappé desapareceu das telas.  Nas redes sociais, não se compara a CR7, Messi ou Neymar. No Instagram, Ronaldo conta com 133 milhões de seguidores, à frente de Neymar (98,4 milhões) e Messi (96,3 milhões). Mbappé tem 10,2 milhões (menos de 10% do português). 

Como vai conseguir alcançá-los? “Ele tem simpatia, um belo sorriso, essa imprudência e ao mesmo tempo uma espécie de maturidade” observou Alexandre Seban, autor do livro  “Messi e Ronaldo, Qual dos Dois é Mais Forte?”, em entrevista à AFP.

“Mbappé tem o apoio do seu clube, que realiza um tratamento internacional da sua imagem e faz um trabalho na imprensa, buscando publicações que não são esportivas, como Vogue", comentou Frank Hocquemiller, da VIP Consulting.

Mas atenção, “a base continua a ser o esporte”, sublinha o especialista, que lembra o exemplo de outro talento francês, Yoann Gourcuff. “Ele tinha tudo, mas não foi suficiente. Muitos invejaram sua carreira, mas, em termos de imagem internacional, não foi um sucesso.”

*TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

 

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