Franck Fife/AFP
Franck Fife/AFP

Mbappé e Modric lutam pelos prêmios de melhor da Copa e do mundo

Além do título por França e Croácia, atacante e meia são os mais cotados para brigar pela premiação individual

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 05h00

Com Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar já eliminados da Copa do Mundo e a classificação de França e Croácia para a final de domingo, os principais candidatos ao prêmio de melhor jogador do torneio são naturalmente dois finalistas: o francês Kylian Mbappé e o croata Luka Modric. A escolha do melhor na Rússia vai influenciar a definição do craque da temporada que, neste ano, acontece no mês de setembro. 

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Com isso, o reinado de dez anos de Messi e Cristiano Ronaldo deve acabar e o trono do futebol espera um novo rei. A escolha do melhor da Copa será feita pelo grupo de estudos técnicos da Fifa formado por ex-jogadores, como Marco van Basten e Amunike, e ex-treinadores como Carlos Alberto Parreira e Bora Milutinovic. Não haverá uma lista de pré-selecionados. “Existem vários itens que devem ser preenchidos pelo melhor da Copa da Rússia. Quem estiver melhor em todos eles será o vencedor”, desconversou o holandês Van Basten. 

A França de Mbappé chega como favorita. Campeã de 1998, vice-campeã europeia em 2016 e recheada de craques, a equipe teve uma campanha consistente. Foi a primeira de seu grupo e enfrentou adversários tradicionais até a final: Argentina, Uruguai e Bélgica. Aos 19 anos, o jovem Mbappé, ou Kyky para os íntimos, é a joia da coroa. Nascido na periferia de Paris, ele representa uma vertente do futebol francês baseada no drible e na criatividade. Com os dois gols que fez na Argentina de Messi, ele se tornou aos 19 anos o jogador mais jovem a marcar duas vezes na fase de mata-mata desde Pelé, que fez dois aos 17 anos na Copa do Mundo de 58. 

Além dos três gols que soma até agora, Mbappé se destaca também por lances raros. Na semifinal contra a Bélgica, ele fez seu malabarismo mais plástico no Mundial. Dominou com o pé direito, girou o corpo e, com o pé esquerdo, deu um passe de costas para Giroud, que quase fez o gol. Genial. Antes disso, ele já tinha caído na graça da torcida. Outro lance marcante foi a arrancada diante da Argentina que resultou no pênalti que abriu o caminho para a classificação às quartas. No Mundial ainda não deu nenhuma assistência. “Ele é o jovem mais talentoso que a França tem”, elogia o meia Pogba, revelação francesa da Copa de 2014. 

 

Sua trajetória pelo Paris Saint-Germain, onde é colega de Neymar, não foi brilhante. A equipe foi eliminada nas oitavas da Liga dos Campeões pelo Real Madrid. Os títulos nacionais já não contentam o torcedor, que espera mais de um time milionário. Na Copa, ele pediu para usar a camisa 10, a mesma de Platini e Zidane. Mbappé ainda não está totalmente pronto para ser o melhor do mundo, mas o título francês e uma grande atuação na final podem fazer a balança pender para seu lado. 

O meia Luka Modric está provavelmente em sua última Copa. Mesmo se a Croácia não for campeã, ele tem grandes chances de ser o melhor jogador da disputa e também da temporada. Seria uma espécie de reconhecimento pelo conjunto de sua obra. Com isso, deve se tornar o primeiro vencedor do prêmio mais cobiçado do futebol diferentemente de Cristiano Ronaldo e Messi desde 2008. 

Pelo Real Madrid, ele é tricampeão da Liga dos Campeões sempre com posição de destaque. Modric representa dois jogadores em um só: sabe marcar como volante, mas cria como meia com a mesma eficiência. É reconhecido como um dos grandes do futebol europeu nos últimos anos. Suas estatísticas na Copa comprovam sua versatilidade: ele fez dois gols, deu uma assistência e onze carrinhos. Deu 443 passes e recuperou a bola 30 vezes no Mundial. 

Modric disse que não está preocupado com a conquista da Bola de Ouro – ele pode aumentar suas chances se a Croácia for campeã mundial. “Não me preocupo com a Bola de Ouro. Mais importante é o êxito da Croácia. Seremos guerreiros e vamos deixar tudo dentro de campo para conquistar o título”, disse. 

POLÊMICA

Apesar de todos os feitos, ele não está em pedestal em seu país. Pelo contrário. Em 2017, Modric foi indiciado por perjúrio por ter, supostamente, mentido para favorecer Zdravko Mamic, ex-diretor do Dínamo Zagreb, empresário do jogador e condenado a seis anos e meio de prisão por evasão fiscal e peculato.

De acordo com o jornal inglês The Guardian, Mamic é amigo da presidente Kolinda Grabar-Kitarovic e ajudou a financiar a campanha para ela ser eleita presidente. O ex-dirigente foi considerado culpado por ter lucrado 15 milhões de euros com a venda de Modric do Dínamos Zagreb para o inglês Tottenham e de Dejan Lovren para o time do Liverpool. 

O caso teve imensa repercussão, com julgamento transmitido pela tevê local. Modric foi ouvido pela corte. Ele passou a ser crucificado pela opinião pública do país por voltar atrás em algumas de suas declarações. O crime de perjúrio prevê pena de seis meses a 15 anos de prisão na Croácia. Ser o melhor do Mundial, portanto, significa uma chance de melhorar sua imagem também no país.

 

 

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