Franck Fife|AFP
Franck Fife|AFP

Mbappé é símbolo do sucesso da nova geração francesa no futebol

Atacante que deve ser anunciado pelo PSG, na segunda maior transação da história, lidera grupo de jovens talentosos

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2017 | 07h01

O Paris Saint-Germain está mesmo disposto a montar um time de galácticos. Depois de arrancar Neymar do Barcelona por € 222 milhões (R$ 841 milhões, ao câmbio de ontem), a equipe parisiense deve anunciar hoje a contratação do atacante francês Kylian Mbappé. Aos 18 anos, o jovem é campeão da Liga 1 pelo Monaco, artilheiro da última temporada e nova esperança do futebol francês. A transação é a segunda maior da história: € 180 milhões (R$ 682,2 milhões) – atrás apenas da do craque brasileiro.

O novo recruta deve passar por exames médicos no Parque dos Príncipes e ser apresentado ao elenco e à imprensa. Ontem, o jovem não comentou a situação ao chegar à concentração da seleção francesa, que se prepara para a partida contra a Holanda pelas eliminatórias da Copa do Mundo. É a quarta convocação de Mbappé para a equipe de Didier Deschamps.

De acordo com o jornal L’Équipe, o acordo foi firmado entre PSG e Monaco na noite de domingo, encerrando novela iniciada antes mesmo da chegada de Neymar a Paris, há quase um mês. Nascido na região parisiense, mas formado nas categorias de base do Monaco entre 2013 e 2015, Mbappé já era assediado por grandes clubes da Europa desde a infância. No ano passado, antes da fama, o Arsenal tentou contratá-lo por € 8 milhões (R$ 30,3 milhões).

Meses depois, o jovem confirmou a promessa, assumiu a titularidade da equipe do técnico Leonardo Jardim e formou dupla com Falcao García, levando o Monaco ao título do Campeonato Francês, que não vinha desde a temporada 1999-2000.

A trajetória fora do comum o levou a entrar na lista de reforços de times como Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Arsenal e Liverpool na janela de transferências do verão europeu. O leilão acabou quando Neymar foi contratado pelo PSG, um fator decisivo na escolha de Mbappé pelo clube de Paris. Segundo diferentes veículos de informação da França, após o desembarque do brasileiro o atacante informou à direção do Monaco que gostaria de jogar no Parque dos Príncipes.

A situação desagradou os dirigentes, insatisfeitos por reforçar um concorrente direto na Liga 1 e na Liga dos Campeões. Por isso Mbappé chegou a ser afastado do time principal, primeiro ficando no banco de reservas e depois nem sendo mais convocado, enquanto as negociações se arrastavam nos bastidores.

No domingo, o acerto foi sacramentado. Para tanto, o PSG montou uma estratégia para reduzir os problemas com o fair play financeiro da Fifa e da Uefa: acertou com o Monaco um empréstimo de um ano – com valor ainda desconhecido –, com pagamento definitivo apenas em 2018. A transação também não vem com obrigação de compra ao final do empréstimo, o que levaria o valor a ser declarado no atual exercício fiscal, já astronômico por causa de Neymar. Assim o PSG se resguarda de punições, escalonando os pagamentos por suas duas contratações.

Mbappé receberá um salário à altura de seu novo status como astro do clube: € 18 milhões por temporada (R$ 68,2 milhões) – Neymar ganha € 30 milhões (R$ 113,7 milhões) – por um contrato de cinco anos.

Meninos de ouro. Por ora, nenhuma das informações ainda foi confirmada pelo PSG, que entretém o suspense sobre o anúncio. Mas a negociação já tornou jovem o jogador francês mais caro da história, superando Ousmane Dembélé, que chegou ao Barcelona nessa semana por € 105 milhões (R$ 398 milhões), mais € 42 milhões (R$ 159,1 milhões) de bônus – o que eleva o contrato a € 147 milhões R$ 557,1 milhões).

Mbappé e Dembélé, aliás, não são exceções. Ambos confirmam o sucesso de uma nova geração de astros potenciais da França. Além deles, o volante Bakayoko foi vendido ao Chelsea; o meia Tolisso ao Bayern; o atacante Lacazette chegou ao Arsenal; e o lateral direito Mendy foi para o Manchester City nessa temporada. Pogba já havia se tornado o jogador mais caro da história no ano passado, ao se transferir para o Manchester United.

Todos foram vendidos a clubes de ponta da Europa por valores entre € 40 milhões (R$ 151,6 milhões) e € 105 milhões (R$ 398 milhões), fora os bônus, que engrossam os contratos e tornam as transações as mais caras da janela de verão.

Para Deschamps, treinador diretamente interessado no sucesso da nova geração francesa, o interesse é natural, e o preço dos atletas não surpreende. “Há um ano vocês me falavam da transferência de Pogba ao Manchester United como uma soma faraônica. Hoje, essa soma não é ridícula, mas quase.’’

Sobre a geração, o treinador dos Bleus é só elogios. “São jogadores com forte potencial e que fazem as coisas muito bem, muito cedo, como Martial (United) e Coman (Bayern Munique) fizeram antes deles’’, afirmou. “Essa geração tem muitas qualidades e eles estão em alto nível muito cedo. O essencial é que permaneçam concentrados no campo.’’

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