Christian Charisius/DPA
Christian Charisius/DPA

Mbappé pode roubar o trono de Messi e Cristiano Ronaldo

Este Mundial está sendo dominado por equipes e nomes novos, o que pode afetar a eleição do melhor jogador do mundo

Lothar Matthäus*, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 04h00

Antes de analisar as semifinais, quero comentar o que nos deixaram as quartas de final. A seleção que mais gostei foi a da Bélgica. Os 2 a 1 contra o Brasil foram uma das melhores partidas da Copa. Teve tudo que um aficionado pode querer: apostas decisivas, técnica, suspense. A vitória belga não foi uma grande surpresa, apenas confirmou uma tendência deste Mundial: um adversário supostamente mais fraco pondo para correr um grandalhão.

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Aconteceu com o Brasil o mesmo que com Alemanha, Argentina e Espanha. Se antes da Copa alguém dissesse que nenhuma dessas equipes chegaria às semifinais, todos discordariam. Mas acredito que os quatro semifinalistas – França, Bélgica, Inglaterra e Croácia – mereceram chegar aonde chegaram.

A qualidade prevaleceu neste Mundial. Inglaterra, com seus jogadores velozes; Croácia, com seu jogo inteligente; França, com sua equipe que joga unida; e Bélgica, com sua sofisticação tática. O Brasil foi surpreendido pela aposta da Bélgica de colocar Lukaku na lateral e deixar a ponta de ataque para De Bruyne. A defesa brasileira não soube como administrar a situação. Foi uma aula magna de tática por parte de Roberto Martínez. Isso, somado ao desempenho individual e à eficácia, foi a chave do êxito belga. Não há nada a criticar no Brasil: não jogou pior do que a Bélgica, apenas perdeu para uma equipe muito forte.

Os ingleses, de sua parte, mostraram que têm um grande potencial, com muitos jogadores jovens como John Stones e Harry Kane.

As duas semifinais ficaram muito equilibradas. Não há favoritos óbvios nos duelos Bélgica x França e Croácia x Inglaterra. No primeiro, vão se enfrentar talvez as duas melhores equipes do Mundial, e uma delas ficará fora. Por outro lado, não é difícil de se imaginar que Inglaterra ou Croácia podem vencer na final. A Croácia me lembrou a Argentina de 1990, que chegou à final depois de superar duas disputas por pênaltis.

 

Gostei da França porque ela joga com unidade e muita disciplina, o que é algo surpreendente em uma seleção tão jovem. Apesar de terem jogadores fantásticos, Les Bleus jogam de forma mais compacta até que a Bélgica, que tem seu grande mérito no lado ofensivo. Lukaku me entusiasmou especialmente, não só pelos quatro gols, mas pelo o que sua enorme força e presença dão à equipe. Diria que o trio de ataque que ele forma com De Bruyne e Eden Hazard tem mais qualidade que o dos franceses. Na equipe francesa estão Mbappé, Griezmann e Giroud. As diferenças são muito pequenas e acredito que será uma semifinal tremendamente equilibrada.

Falando de jogadores individualmente, provavelmente minha equipe ideal da Copa não teria Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar. Eles foram eliminados cedo e não puderam mostrar nada além de alguns flashes. Ante o que se esperava deles, pode-se concluir que Messi decepcionou, Cristiano Ronaldo só impressionou frente à Espanha e Neymar foi notícia por muitas coisas, mas nem sempre por sua qualidade futebolística.

Este Mundial está sendo dominado por equipes e nomes novos, o que pode afetar a eleição do melhor jogador do mundo. Se o jovem e talentoso Mbappé se tornar campeão e tiver feito mais um ou dois gols, posso imaginar que em setembro, na premiação da Fifa, haverá outro vencedor que não Messi ou Cristiano Ronaldo, os dois que monopolizaram o galardão na última década. Também pode ser um jogador belga ou mesmo Kane, se a Inglaterra levar o título.

Cristiano Ronaldo fez muitos gols na Liga dos Campeões e ganhou seu terceiro título com o Real Madrid, mas na Copa deu adeus nas oitavas. O que não consigo imaginar é Neymar eleito melhor jogador do mundo. Sua eliminação nas quartas de final e principalmente sua atuação teatral não justificam./TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

*CAMPEÃO MUNDIAL EM 1990

 

 

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