Daniela Porcelli/CBF
Daniela Porcelli/CBF

'Me acostumei a jogar fora do Brasil, gosto da liga americana', diz Debinha

Versatilidade da meia do North Carolina Courage é destaque na seleção brasileira de Pia Sundhage

Entrevista com

Debinha

Daniele Bellini, especial para o Estado

12 de novembro de 2019 | 11h00

Campeã da NWSL (National Women's Soccer League) pelo North Carolina Courage e eleita MVP da partida final, no dia 27 de outubro, a jogadora Debinha encerra o ano com campanha de destaque também na seleção brasileira. Ela jogou a Copa do Mundo da França e marcou presença em todas as convocações da técnica Pia Sundhage até o momento. Ela é a artilheira da equipe nacional com a treinadora sueca. São seis jogos e quatro gols.

Aos 28 anos, a mineira de Brazópolis está há três temporadas nos Estados Unidos e diz que se habituou a jogar fora do Brasil depois de passagens por Portuguesa, Saad, Centro Olímpico e São José, além de ter jogado em países como Noruega e China. Debinha foi entrevistada pelo Estado.

Como foi sua trajetória no futebol até chegar aos EUA e à seleção brasileira?

Sou de Brazópolis, Minas. É uma cidade pequena (com pouco mais de 14 mil habitantes). Minha infância foi 'de menino', jogando bolinha de gude, soltando pipa, brincando de polícia e ladrão, pé na lata e, claro, futebol. Lá só tinha um time feminino, de meninas mais experientes do que eu, que jogavam só nos fins de semana, porque elas trabalhavam. Durante a semana, jogava bola com os meninos. Dava um jeitinho, pedia para minhas irmãs irem comigo ou esperava minha mãe ir para o trabalho e ia para a rua, escondida da minha avó. Eu me destacava jogando com os meninos. Recebi proposta de Varginha, Itajubá, Paraisópolis... Cheguei a receber 0ferta do Corinthians, o Itaquera, que era time de futsal, mas como era nova, não quis ir. Fiz a peneira do Saad e fiquei lá em 2008 e 2009. Depois, fui para a Portuguesa (2010). Em 2011,  estava no Centro Olímpico, joguei lá três anos (até 2013) antes de ir para a Noruega. Fiquei três anos lá. Voltei para o Brasil e acabei assinando com o São José. Joguei a Libertadores e o Mundial. Passei também pela China, fiquei lá por um ano (2016). Depois (2017), fui para os EUA e essa foi minha terceira temporada lá.

Quem são seus ídolos?

Meu ídolo era o Ronaldinho Gaúcho. Quando era pequena, ficava assistindo aos vídeos dele, porque ele jogava bonito, para poder aprender alguns dribles, embaixadinhas. Assistia também aos jogos da Europa, quando ele jogava no Barcelona e, claro, na seleção. Sempre acompanhei Mundiais por causa dele. Sempre fui muito fã de Marta, Formiga e Cristiane também. Não acompanhava essas meninas nos clubes, até porque na época que comecei dificilmente transmitiam jogos. Mas quando passava Mundial, Olimpíada, estava em frente à televisão. Depois que cheguei à seleção, minha admiração por elas só aumentou.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Game day ⚽️

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Sua família sempre te apoiou?

Sim. No começo, quando era criança, minha mãe, é claro, não gostava que eu brincasse com os meninos, mas depois ela viu que era o que queria. Quando fui para o Saad e comecei a evoluir como atleta, cheguei na seleção sub-20, depois fui para fora, seleção brasileira principal, aí tudo mudou. Ela assiste a todos os jogos, tanto masculino quanto feminino. Ela sabe até mais coisas do que eu. E meu pai sempre foi meu fã número 1, sempre me apoiou. Minhas irmãs também sempre me apoiaram, vão assistir aos jogos quando minha mãe e meu pai não conseguem ir. Mas sempre tive o apoio deles e tenho certeza de que sempre vou ter.

Gostaria de voltar a jogar em um time no Brasil?

Já tive algumas propostas. Quando estava na Noruega, voltei e joguei a Libertadores e o Mundial de Clubes pelo São José. Às vezes aparecem alguns clubes querendo que eu volte para o Brasil. Claro que a minha vontade é sempre estar no meu país, perto da família. Mas hoje eu me acostumei a jogar fora, gosto muito de jogar na liga americana. Então, acho que hoje em dia não tenho essa ambição de voltar a jogar no País. Talvez para um campeonato como Libertadores, Mundial, por empréstimo.

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Hoje em dia, não tenho a ambição de voltar a jogar no Brasil
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Debinha, meia da seleção

Como é sua rotina nos EUA e as maiores dificuldades enfrentadas?

No meu primeiro ano, fui junto com a Rosana, mas ela acabou ficando metade da temporada e depois fiquei sozinha lá. Acho que essa foi a dificuldade, porque antes eu tinha ela para falar português. Depois que ela saiu, tive que me virar. A dificuldade foi mais a língua mesmo, eu sabia pouco inglês quando cheguei lá. No dia a dia, com as meninas, sou obrigada a falar, acho que já tenho um nível bom, falo bem, consigo me virar. Minha rotina é sempre a mesma: treino e casa. Às vezes saio para jantar fora. Quando tenho folga jogo golfe e boliche. A rotina é sempre a mesma, porque os treinos são bem pegadinhos. Então durante a semana procuro descansar bem para o próximo treino.

Em algumas convocações você aparece como atacante e em outras como meia. Em seu time é escalada como meia. Qual a posição que você prefere jogar?

Confesso que gosto bastante de jogar no meio. Meu primeiro ano nos EUA foi de adaptação, porque foi a primeira vez que estava jogando como meia mesmo. Cheguei a jogar na Portuguesa, mas não tenho tantas recordações. Agora já é meu terceiro ano jogando na liga como meia e confesso que me adaptei muito bem. É uma posição que gosto bastante, porque estou sempre me movimentando, recebendo a bola e criando. E também tenho chance de chegar no gol.

Como está o trabalho com a Pia na seleção?

Ela dá bastante essa liberdade. O jeito que ela gosta de jogar, para nós que jogamos abertas, poder vir pelo meio e fazer essa troca com a atacante é bastante interessante. Mesmo se ela precisar de mim no ataque eu vou estar preparada. Tratando de seleção, temos de estar sempre preparadas, sempre disponíveis, independente da posição que ela precise. 

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