Médico do Incor depõe hoje em São Paulo

O cardiologista Edimar Bocchi, do Incor, que vai depor hoje no 34º DP de São Paulo, afirmou, ontem, que sua "salvação" é o fato de que várias pessoas acompanharam exames feitos por Serginho no Incor, no primeiro semestre. E, assim, presenciaram os resultados e os alertas dados ao jogador e ao médico Paulo Forte, do São Caetano. "Havia, no local, alunos de pós-graduação, médicos-assistentes e todos presenciaram os exames", contou Bocchi em entrevista exclusiva à Agência Estado. "É a minha salvação."Bocchi anda abatido com os bombardeios que vem sofrendo da família de Helaine, a viúva do zagueiro, e do São Caetano - por meio dos advogados, de Forte e do presidente, Nairo Ferreira de Souza. Acha que está sendo acusado injustamente, pois garante que sempre avisou Forte dos problemas de saúde do zagueiro.O cardiologista reconhece que foi infeliz ao usar o termo "fatalidade" ao referir-se à morte de Serginho, em documento assinado em conjunto com Paulo Forte, na semana passada. E embora confirme que a doença que provocou a parada cardiorrespiratória no atleta não foi a mesma acusada nas avaliações do Incor, só assinou a nota por pressão.Será esse o teor de seu depoimento ao delegado Guaracy Moreira Filho e ao promotor Rogério Leão Zagallo, que cuidam do caso.Agência Estado - O São Caetano diz que não recebeu nenhum laudo do Incor que impedisse Serginho de atuar. A obrigação do clube era ter solicitado o atestado. Como eles não pediram o laudo num caso tão sério?As normas do CRM (Conselho Regional de Medicina) não obrigam o médico a entregá-lo ao paciente, a não ser quando solicitado (conforme consta no artigo 71 do capítulo V do Código de Ética Médica).AE - Segundo Luiz Fernando Pacheco, advogado do São Caetano, o clube está respaldado pelo artigo 40 do Código de Ética Médica, que diz que é vedado deixar de esclarecer o trabalhador sobre as condições de trabalho...Primeiro: esclareci os problemas ao Paulo Forte. Foi ele que não cumpriu o artigo 40, porque era o responsável pelos jogadores do clube. Ele era o responsável pelo Serginho. Depois, o artigo refere-se a problemas no trabalho. Por exemplo: se um grupo de funcionários trabalha numa fábrica que pode causar algum dano à saúde, precisa ser alertado.AE - Algumas pessoas desconfiaram do prontuário do Serginho, disseram que o senhor poderia tê-lo escrito depois. Esse tipo de coisa pode acontecer?O prontuário é um fichário. Escrevi para mim, pode ver, tem a minha letra e foi feito na época das avaliações. Os exames foram presenciados por alunos de pós-graduação e médicos-assistentes. É a minha salvação.AE - Então, por que acha que o médico Paulo Forte e o clube o liberaram para jogar?Não sei nem se o clube ficou sabendo. A única pessoa que vinha ao Incor era o Paulo Forte. E ele tinha a obrigação, como especialista em medicina esportiva, de conhecer sobre anormalidades cardiovasculares. As pessoas estão tentando de tudo, mas é difícil esconder a verdade...

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